ABUSO INFANTIL REVOLTA

Chocado, Secretário de Segurança de SP não vê vídeo de estupro

Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, em um evento oficial.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, em coletiva de imprensa.

Osvaldo Nico Gonçalves se emociona ao falar de crime contra crianças; investigação avança e mais um envolvido é aguardado em SP.

A brutalidade de um estupro coletivo contra duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste de São Paulo, abalou profundamente a autoridade máxima da Segurança Pública do estado. Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo, declarou em coletiva de imprensa neste domingo, 3 de maio de 2026, que não conseguiu assistir ao vídeo completo do crime, ocorrido em 21 de abril de 2026, no bairro União de Vila Nova. A revelação do secretário, com 45 anos de experiência policial, destaca a extrema crueldade do ato e o impacto devastador que tais crimes têm sobre indivíduos e a sociedade, motivando uma rigorosa investigação para responsabilizar todos os envolvidos.

Em sua fala, o secretário, que tem uma longa trajetória na polícia, descreveu a cena do crime como “terrível e inesquecível”, afirmando que as imagens permanecerão em sua memória “durante muito tempo”. A dificuldade de Osvaldo Nico Gonçalves em confrontar a violência do vídeo ressalta a dimensão da barbárie infligida às vítimas e a importância da proteção da dignidade infantil em meio a tragédias como esta.

O portal Metrópoles, que teve acesso às chocantes imagens, decidiu eticamente não divulgá-las devido ao nível de crueldade explícita contra as crianças. Os vídeos mostram o grupo de abusadores debochando do desespero das vítimas, e em um momento, uma das crianças é agredida com tapas na cabeça, revelando a frieza e a crueldade dos agressores.

Entenda o caso

Em 21 de abril de 2026, as duas crianças, de 10 e sete anos, foram atraídas para um imóvel na região por quatro adolescentes e um adulto, sob o pretexto de soltar pipa. No local, foram brutalmente abusadas sexualmente. O adulto, identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, iniciou a gravação dos abusos com seu celular e, em seguida, instruiu um adolescente a continuar filmando. Esse vídeo foi posteriormente enviado pelo próprio Alessandro a um grupo de WhatsApp, de onde se disseminou para as redes sociais.

A divulgação na internet foi crucial para o avanço da investigação: a irmã de uma das vítimas identificou a criança e registrou um boletim de ocorrência em 24 de abril de 2026, dando início à ação policial.

Prisões e negociação com o foragido

  • Até o momento, a polícia identificou e deteve três adolescentes e um adulto – Alessandro Martins dos Santos – pelo crime. Um menor de idade ainda permanece foragido.
  • O secretário Osvaldo Nico Gonçalves informou que equipes da polícia negociam com a família do adolescente foragido para que ele se entregue. A delegada Janaina Dziadowczyk expressou sua convicção de que a entrega ocorrerá, ressaltando que é “a melhor coisa a fazer neste momento”.
  • Dos três menores apreendidos, dois foram levados pelos pais, na quinta-feira, 30 de abril de 2026, à sede do 63° Distrito Policial (DP) de Vila Jacuí, responsável pela investigação. O terceiro adolescente foi apreendido em Jundiaí, no interior de São Paulo.
  • O único maior de idade envolvido no estupro coletivo foi preso na Bahia. Conforme a investigação, ele deve ser levado para São Paulo nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, para dar continuidade aos procedimentos legais.
  • A polícia confirmou que todos os envolvidos detidos confessaram o crime.

Próximos passos da investigação

Além de focar na apreensão do quarto menor suspeito, a polícia também trabalha para identificar quem compartilhou as imagens dos abusos nas redes sociais. As autoridades reiteram que o adulto preso filmou o estupro e enviou para conhecidos via WhatsApp, o que resultou na posterior divulgação. Aqueles que compartilharam os vídeos, mesmo com a intenção de expressar revolta, podem ser indiciados. A polícia faz um apelo para que as pessoas parem de divulgar as gravações, protegendo as crianças envolvidas.

Paralelamente, a equipe policial investiga denúncias de que moradores da comunidade onde as crianças vivem teriam feito ameaças, tentando impedir que a família registrasse o boletim de ocorrência. Segundo os delegados do caso, algumas pessoas desejavam que o assunto fosse “resolvido” internamente no bairro, sem a intervenção da polícia, uma atitude que compromete a justiça e a segurança das vítimas.

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