TENSÃO

Irã corta comunicação com EUA após ultimato de Trump

Manifestantes iranianos formam corrente humana para proteger usina de energia contra possíveis ataques.
Iranianos formam corrente humana em torno de usina termoelétrica

Decisão iraniana reportada em 7 de maio dificulta negociações por cessar-fogo e amplia risco de escalada militar global.

Nesta terça-feira, 7 de maio, o Irã cortou as comunicações diretas com os Estados Unidos, uma decisão reportada pelo The Wall Street Journal, motivada pelas recentes e intensificadas ameaças do presidente Donald Trump de “destruir toda a civilização” iraniana. A medida, que já dificultou as negociações de cessar-fogo mediadas por autoridades do Oriente Médio, amplia dramaticamente o risco de uma escalada militar na região, com potencial para afetar a estabilidade global e a vida de milhões de pessoas.

O corte das comunicações surge no mesmo dia em que expira o ultimato de Trump: até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira, 7 de maio, o Irã deveria reabrir totalmente o Estreito de Ormuz. As negociações, apesar do impasse direto, seguem por vias indiretas, buscando um desfecho para um conflito que já dura seis semanas.

Em resposta às ameaças, o Irã manteve o tom desafiador. Uma autoridade iraniana de alto escalão declarou à agência Reuters que o país não reabrirá Ormuz em troca de “promessas vazias”. A mesma fonte ameaçou fechar a via marítima de Bab el-Mandeb, caso a situação se agrave, e advertiu que “todo o Oriente Médio ficará no escuro” se os EUA atacarem as usinas de energia iranianas, evidenciando a capacidade do país de reagir e de causar instabilidade regional e global.

A escalada de retóricas e ações ocorre em um cenário de confronto militar intenso. Os EUA afirmam ter destruído parte significativa das Forças Armadas iranianas e buscam um compromisso de Teerã em nunca desenvolver armas nucleares, além de limitar seu arsenal de mísseis. Contudo, o Irã tem demonstrado notável capacidade de resistência, como ao fechar parte do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo, o que resultou na elevação dos preços globais de combustível.

Os ataques iranianos contra Israel, atingindo cidades como Tel Aviv e Haifa, e as ações contra bases americanas e empresas de energia ligadas aos EUA no Oriente Médio, demonstram a amplitude do conflito, que já envolveu países vizinhos. Essa dinâmica tem gerado pressões políticas e econômicas sobre o presidente Trump, especialmente a poucos meses das eleições de meio de mandato ("midterms") nos Estados Unidos, levando-o a intensificar suas ameaças.

A série de ultimatos de Trump se estende por semanas. No domingo, 5 de maio, ele utilizou uma rede social para dar o prazo final de 7 de maio para o acordo e a reabertura de Ormuz, ameaçando atacar pontes e usinas de energia. Sua mensagem foi enfática: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o estreito, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”.

Ultimatos anteriores incluíram a ameaça de “obliterar” usinas em 21 de março, caso Ormuz não fosse reaberto em 48 horas. Dois dias depois, em 23 de março, Trump estendeu o prazo por mais cinco dias, mencionando negociações “muito boas e produtivas”. Em 26 de março, o prazo foi novamente ampliado até 6 de abril, com novas menções a avanços nas conversas. No entanto, o tom atual é de crescente beligerância, com Trump reforçando que, após o prazo final, pontes seriam “dizimadas” e usinas, “demolidas” em questão de horas.

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