FUTURO EM JOGO
Justiça Federal marca nova audiência para tentar resolver impasse de 21 anos do Hotel BRA
Decisão busca acordo sobre pilares remanescentes que impedem cumprimento integral de sentença antiga. Prefeitura será intimada.
A Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN) deu um novo passo na tentativa de encerrar uma das disputas judiciais mais longas e emblemáticas de Natal. Nesta quarta-feira, 03/06/2026, o juiz federal Ivan Lira de Carvalho determinou a realização de uma audiência de conciliação para discutir o futuro do esqueleto do antigo Hotel BRA, localizado na Via Costeira.
O encontro tem o objetivo de selar um acordo definitivo sobre o cumprimento de uma sentença que determinou o embargo da obra há 21 anos. O processo foi encaminhado ao Centro Judiciário de Solução Consensual de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da JFRN.
A audiência reunirá representantes da construtora NATHWF Empreendimentos S/A, do Ministério Público Federal (MPF) e do Município de Natal, que será formalmente intimado a participar das discussões. O juiz ainda não divulgou a data exata para o encontro.
A controvérsia central agora reside nos pilares remanescentes do 8º pavimento do edifício. Em 2017, a Justiça condenou a empresa a demolir o andar excedente por violar os limites de altura estabelecidos. A construtora executou a demolição da laje e das paredes, mas optou por manter as estruturas verticais de sustentação.
A NATHWF alega que a retirada total desses pilares é tecnicamente inviável, pois eles são essenciais para a estabilidade da edificação e serão reaproveitados para sustentar a alvenaria da futura área técnica do projeto. A construtora argumenta que a remoção comprometeria a segurança do prédio.
Durante a audiência, as partes tentarão chegar a um consenso sobre se a permanência dessas estruturas afronta a decisão judicial ou se a sentença pode ser considerada integralmente cumprida com o cenário atual. A possibilidade de nova demolição dessas bases será debatida.
O empreendimento se tornou um caso judicial em 2005, com a paralisação das obras após ações civis públicas movidas pelo MPF. Na época, foram apontadas graves irregularidades, como alterações clandestinas em relação ao projeto original aprovado pela Prefeitura de Natal e a construção de andares acima do limite permitido pelo Plano Diretor vigente.
Após anos de tramitação, a condenação de 2017 obrigou a demolição do topo do prédio e determinou que qualquer reestruturação exigiria um novo e rigoroso licenciamento ambiental e urbanístico. Paralelamente, a empresa busca reativar o projeto administrativamente junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).
Em abril deste ano (2026), a Semurb concedeu um prazo de 120 dias úteis para que a NATHWF apresente correções e informações complementares essenciais para a liberação da área. Entre as exigências técnicas do município estão a apresentação de laudos e adequações.
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