Ranking
Brasil avança e supera EUA em liberdade de imprensa
País sobe para 52ª posição, enquanto norte-americanos caem para 64ª em ranking global.
A liberdade de imprensa no Brasil registra um avanço notável em 2026, com o país subindo cinco posições no ranking global e, pela primeira vez, superando os Estados Unidos. A avaliação, divulgada nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), coloca o Brasil na 52ª posição e destaca um movimento contrário à tendência global de deterioração, oferecendo um respiro para a dignidade da informação em um mundo onde a imprensa enfrenta crescentes ameaças, violências e repressões. Este cenário reflete diretamente a capacidade da sociedade de acessar informações cruciais e exercer sua cidadania plena.
O levantamento da RSF avalia a situação em 180 países, utilizando indicadores econômicos, legislativos, de segurança, políticos e sociais para mapear a condição da liberdade de imprensa. Para este ano, a ONG alertou que o mundo atingiu o nível mais baixo de liberdade de imprensa em 25 anos, evidenciando uma crise global no setor.
Neste panorama desafiador, o Brasil emerge com um desempenho distinto, especialmente em contraste com a América Latina, onde diversos países se veem imersos "em uma espiral de violência e repressão", conforme o relatório. A trajetória brasileira tem sido de recuperação, contrariando a precarização geral da região.
"Apesar de algumas recuperações nos últimos anos, como a do Brasil, a história recente da liberdade de imprensa no continente em geral é marcada por duas tendências: o aumento da violência cometida por agentes do crime organizado e a violência proveniente de forças políticas", detalha o documento da RSF, sublinhando os riscos persistentes aos profissionais da informação.
Desde 2022, o Brasil experimentou uma ascensão significativa, escalando 58 posições no ranking. No ano anterior, em 2025, a liberdade de imprensa brasileira figurava na 63ª colocação, consolidando uma trajetória de melhoria que o tirou de uma situação crítica.
Em 2021, o país amargou seu pior índice, alcançando a 111ª posição e ingressando na zona vermelha, classificada como "situação difícil". Atualmente, embora ainda se encontre na categoria de "situação sensível", a posição melhorada representa um avanço tangível na proteção e no exercício do jornalismo.
Em contrapartida, os Estados Unidos registram uma queda preocupante pelo quarto ano consecutivo. Em 2022, os norte-americanos ocupavam a 42ª colocação, indicando uma situação relativamente boa. No ano passado, 2025, já haviam recuado para a 57ª posição, em situação sensível, e agora caíram para a 64ª, evidenciando uma deterioração contínua.
A RSF atribui essa queda, que já se manifestava por dificuldades econômicas de jornalistas e uma crise de confiança pública, ao uso intensivo da máquina pública pelo governo de Donald Trump contra profissionais e veículos de imprensa, acentuando a pressão sobre o setor. Isso mina a capacidade da mídia de atuar como pilar da democracia, impactando diretamente o acesso da população à verdade.
"Desde seu retorno ao poder, os jornalistas também passaram a ser alvo durante manifestações, o que reflete uma deterioração mais ampla que constitui uma das crises mais graves para a liberdade de imprensa na história moderna dos Estados Unidos", afirma o relatório. "Os Estados Unidos de Donald Trump estão saindo completamente do controle", conclui a organização, em tom de alerta.
Situação no mundo
O relatório da RSF informa que mais da metade dos países analisados está em "situação difícil" ou "muito grave" de liberdade de imprensa. Parte considerável dessa deterioração decorre de mudanças nas políticas de segurança nacional, que impõem barreiras à cobertura de interesse público e minam o direito fundamental à informação, sufocando a voz dos cidadãos.
"O próprio jornalismo está morrendo, sufocado pela retórica política hostil aos repórteres, enfraquecido por uma economia midiática em dificuldades e pressionado pela instrumentalização de leis contra a imprensa", alerta o relatório, pintando um quadro sombrio para o futuro da profissão e da sociedade.
A ONG aponta um dado alarmante: em 2002, 20% da população mundial vivia em países onde a situação da imprensa era considerada "boa". Hoje, apenas 1% reside em nações com liberdade de imprensa favorável, demonstrando a drástica redução de espaços para o jornalismo livre.
Assim como no ano anterior, somente sete países receberam a cobiçada classificação de "boa situação" de liberdade de imprensa. O ranking continua a ser liderado pela Noruega, que mantém o primeiro lugar, seguida por Países Baixos, Estônia, Dinamarca e Suécia, que servem de exemplo para o mundo.
Por outro lado, conflitos armados agravaram a situação em países em guerra, como Israel e Sudão, onde a morte de jornalistas é uma triste realidade. A América Latina, mesmo sem estar em conflito declarado, despencou no ranking devido à violência sistêmica contra profissionais de imprensa, principalmente por parte do crime organizado, evidenciando a vulnerabilidade dos trabalhadores da mídia na região.
Enquanto isso, regimes autoritários persistem nas piores posições do ranking, ilustrando a repressão intrínseca a esses governos. A Eritreia recebeu novamente a pior pontuação, seguida de perto por Coreia do Norte, China, Irã e Arábia Saudita, onde a liberdade de expressão é praticamente inexistente.
Veja, abaixo, o ranking com os 20 melhores e os 20 piores países para a liberdade de imprensa, segundo o estudo da RSF:
20 melhores
- Noruega
- Países Baixos
- Estônia
- Dinamarca
- Suécia
- Finlândia
- Irlanda
- Suíça
- Luxemburgo
- Portugal
- Tchéquia
- Islândia
- Liechtenstein
- Alemanha
- Lituânia
- Bélgica
- Letônia
- Reino Unido
- Áustria
- Canadá
20 piores
- Eritreia (180º)
- Coreia do Norte (179º)
- China (178º)
- Irã (177º)
- Arábia Saudita (176º)
- Afeganistão (175º)
- Vietnã (174º)
- Turcomenistão (173º)
- Rússia (172º)
- Azerbaijão (171º)
- Bahrein (170º)
- Egito (169º)
- Nicarágua (168º)
- Djibuti (167º)
- Birmânia (166º)
- Belarus (165º)
- Iêmen (164º)
- Turquia (163º)
- Iraque (162º)
- Sudão (161º)
Outros destaques
- França (25º)
- Uruguai (48º)
- Brasil (52º)
- Itália (56º)
- Japão (62º)
- Chile (70º)
- Paraguai (88º)
- Argentina (98º)
- Israel (116º)
- Venezuela (159º)
- Cuba (160º)
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