IMPRENSA LIVRE

CCJ do Senado isenta veículos de comunicação de culpa por calúnia de entrevistados

Senadores Rogério Marinho e Oriovisto Guimarães na CCJ do Senado, que aprovou PEC sobre responsabilidade da mídia.
Senador Rogério Marinho (PL-RN) e Senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) durante sessão da CCJ do Senado. (Crédito: Saulo Cruz/Senado)

De autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), a proposta visa contornar a tese do STF, que, segundo o parlamentar, limita o pleno exercício da liberdade de expressão

No dia 8 de maio, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deu um passo significativo ao aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exime veículos de comunicação da responsabilidade por declarações caluniosas feitas por entrevistados. A decisão, que agora segue para análise do Plenário do Senado e, se aprovada, para a Câmara dos Deputados, busca reverter um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de novembro de 2023. Naquele momento, a Corte havia estabelecido que mídias poderiam ser responsabilizadas caso houvesse indícios concretos de falsidade na acusação e o dever de cuidado na verificação dos fatos não fosse seguido, gerando um debate fundamental sobre os limites da liberdade de expressão e a proteção da dignidade individual.

De autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), a proposta visa contornar a tese do STF, que, segundo o parlamentar, limita o pleno exercício da liberdade de expressão. Marinho defendeu que a legislação brasileira já oferece mecanismos para lidar com calúnia, difamação e injúria, tornando a decisão da Corte um "ataque contra a liberdade de expressão" que "tem feito muito mal à sociedade brasileira". A PEC se apresenta, portanto, como uma tentativa de reforçar a autonomia jornalística frente a possíveis ações judiciais.

O relator da PEC, senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), corroborou a preocupação com a liberdade de imprensa, mencionando ter recebido inúmeros apelos de emissoras e entidades representativas do setor. Para Guimarães, a liberdade de expressão é um pilar essencial para um ambiente democrático, onde opiniões e ideologias diversas podem ser manifestadas e contrapostas sem receios, moldando o pensamento político em sentido amplo.

Esta discussão, portanto, transcende o campo jurídico para impactar diretamente a forma como o jornalismo opera no Brasil e como a sociedade se informa. Se a PEC for promulgada, poderá redefinir as diretrizes para a apuração e publicação de notícias, aliviando a carga sobre os veículos de comunicação, mas também levantando questões sobre a salvaguarda da reputação de indivíduos que possam ser indevidamente acusados. O equilíbrio entre a robustez da imprensa e a proteção contra informações difamatórias permanece no centro deste importante debate legislativo.

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