ABUSO NO MERCADO

Governo dos EUA investiga JBS e Marfrig com programa de recompensa

Frigorífico processando carne bovina. Imagem representa a indústria de carne sob investigação do governo dos EUA.
Carne bovina em frigorífico: JBS e Marfrig sob investigação nos EUA por práticas comerciais abusivas.

Medida visa coibir cartel e fraude que prejudicam pecuaristas e consumidores americanos. Pagamento pode superar US$ 1 milhão.

O governo dos EUA, através do seu Departamento de Justiça, anunciou nesta semana um programa de recompensa para coletar informações cruciais contra as gigantes brasileiras JBS e National Beef, subsidiária da Marfrig. Esta iniciativa busca combater supostas práticas comerciais abusivas e a elevação artificial dos preços da carne bovina, que impactam diretamente os pecuaristas independentes e os consumidores norte-americanos. A decisão, que faz parte de uma investigação mais ampla iniciada em novembro de 2025 a pedido do então presidente Donald Trump, reafirma o compromisso com a transparência do mercado e a proteção contra a má conduta corporativa.

A investigação também mira as companhias norte-americanas Cargill e Tyson Foods. Juntas, estas quatro empresas controlam cerca de 85% do mercado de processamento de carne bovina nos EUA, conforme dados do Departamento de Justiça e da Secretaria de Agricultura. Tal concentração de mercado levanta sérias preocupações sobre a concorrência e potenciais abusos.

A recompensa oferecida pela administração Trump pode variar de 15% a 30% do valor das multas aplicadas às empresas, caso as penalidades superem US$ 1 milhão. O governo pagará em troca de detalhes sobre possíveis crimes concorrenciais ou fraudes.

Brooke Hollins, Secretária de Agricultura dos EUA, declarou na última segunda-feira, 7 de maio de 2026, que grandes processadoras estrangeiras de carne “prejudicam os pecuaristas independentes e consumidores” norte-americanos. Ela enfatizou que “Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e tem histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita”, citando ainda alegações de formação de cartel e trabalho escravo.

O então presidente Trump iniciou esta ofensiva no setor em novembro de 2025, após queixas sobre o aumento do preço da carne bovina e acusações de “conluio ilícito” por parte das empresas. Ele então ordenou a abertura de uma investigação abrangente. O Departamento de Justiça informou ter analisado mais de 3 milhões de documentos e coletado depoimentos de centenas de pecuaristas e produtores.

Procurada pelo Poder360, a Marfrig afirmou atuar em conformidade com as leis de defesa da concorrência. A empresa destacou que as operações da National Beef são uma parceria de longa data com cerca de 700 produtores locais, que juntos detêm aproximadamente 18% do capital da companhia. A JBS não respondeu ao pedido de manifestação até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma resposta seja enviada a este jornal digital.

CARNE BRASILEIRA NOS EUA

A carne bovina foi um dos produtos atingidos pela tarifa de 50% imposta por Trump contra o governo brasileiro em agosto de 2025. O Brasil é o principal fornecedor do produto para o mercado norte-americano. O líder republicano reduziu as tarifas sobre a carne brasileira em novembro, mas manteve a taxação em 40%.

Os frigoríficos brasileiros exportaram US$ 795 milhões em carne bovina para os EUA nos primeiros três meses deste ano, um aumento de 21% em relação ao mesmo período de 2025. O ano passado registrou o recorde para as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA, com vendas atingindo US$ 1,75 bilhão, crescimento de 39% sobre 2024.

Leia a íntegra da nota da Marfrig:

“A MBRF atua em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência e mantém políticas robustas de governança e compliance.

É importante observar que nos Estados Unidos as operações da National Beef têm uma característica especial, já que elas são baseadas em sociedade de longa data com cerca de 700 produtores locais, que juntos detêm aproximadamente 18% do capital da empresa. Nos últimos 27 anos, a companhia direcionou aos produtores da U.S. Premium Beef mais de US$ 1,6 bilhão em distribuição de dividendos, em um modelo de negócios que fortalece a todos na cadeia produtiva.”

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