TRAGÉDIA SEM FIM

Esperança por sobreviventes diminui após terremotos na Venezuela

Edifícios destruídos em La Guaira, Venezuela, após fortes terremotos.
Vista aérea da destruição nos bairros de Caraballeda e Caribe, na cidade litorânea de La Guaira, Venezuela.

Balanço oficial aponta 4.333 mortos e mais de 29 mil desaparecidos; equipes de resgate enfrentam dificuldades estruturais nas buscas.

As autoridades da Venezuela confirmam que as chances de encontrar sobreviventes sob os escombros tornaram-se remotas, mantendo o número de resgates estável desde 2 de julho. A situação, agravada pela extensão da destruição, marca um cenário crítico neste domingo, 12, enquanto famílias aguardam por informações sobre entes queridos.

Em balanço divulgado no sábado (11/07/2026), Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, informou que o total de resgatados com vida permanece em 6.462, enquanto o número de óbitos subiu para 4.333. A estagnação nos salvamentos reflete o fim da janela crítica de sobrevivência após os terremotos que devastaram áreas como Caraballeda e o Caribe, na região de La Guaira.

O último resgate notável ocorreu entre 30 de junho e 2 de julho, quando o agente Hernán Alberto Gil Flores foi localizado após oito dias soterrado. Desde então, a esperança de encontrar mais vítimas com vida diminuiu drasticamente, conforme apontam especialistas internacionais que atuam no território venezuelano.

A crise humanitária é acentuada pela ausência de um balanço oficial de desaparecidos por parte do governo de Delcy Rodríguez. Segundo o portal Desaparecidos Terremotos Venezuela, mais de 29 mil pessoas seguem sem paradeiro conhecido. Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que os prejuízos estruturais já alcancem a cifra de US$ 37 bilhões.

Armin Braun, chefe da missão enviada pelo Brasil e diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) da Defesa Civil, descreveu o cenário como de destruição total. Segundo o especialista, a robustez das edificações colapsadas em La Guaira impede o uso de maquinário pesado, limitando a progressão das equipes de busca a dez metros abaixo dos escombros.

A missão brasileira, composta por 82 especialistas, realizou 90 intervenções na Venezuela, resultando na retirada de 23 corpos. Embora Braun reconheça que as possibilidades são reduzidas, ele pondera que a sobrevivência de novas vítimas ainda dependeria de condições excepcionais de acesso a recursos básicos, como água e alimentos, sob os escombros.

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