SAÚDE E LONGEVIDADE

Pesquisadores afirmam que viajar vai além do lazer e rejuvenesce corpo e mente

Casal de idosos viajando, indicando o benefício de viajar na terceira idade.
Foto mostra casal de idosos durante viagem.

Pesquisa da Edith Cowan University revela como o turismo planejado melhora a saúde e a autonomia no envelhecimento. Estudo publicado em março no International Journal of Tourism Research.

Uma nova perspectiva sobre o envelhecimento saudável é apresentada por pesquisadores da Edith Cowan University (ECU), que afirmam: viajar vai muito além do lazer, funcionando como um poderoso estímulo para o corpo e a mente. Um estudo abrangente, publicado em março no International Journal of Tourism Research, revela que experiências positivas de viagem podem ser uma forma complementar vital para promover a saúde e o bem-estar. Essa descoberta é crucial, pois aponta caminhos para que indivíduos desfrutem de um envelhecimento mais ativo, equilibrado e com maior dignidade, impactando diretamente a qualidade de vida.

Arrumar a mala, escolher um destino e sair da rotina pode parecer apenas um momento de lazer. No entanto, a ciência tem consistentemente demonstrado que o turismo atua como um impulso significativo tanto para o físico quanto para o mental. Ao explorar novos lugares, aumentar a atividade física, interagir com outras culturas e viver experiências que fogem do cotidiano, o organismo tende a romper com o modo automático e reagir com maior vigor, emoções positivas e uma profunda sensação de bem-estar.

Diversos trabalhos acadêmicos têm sublinhado essa íntima conexão entre turismo e saúde. A pesquisa, contudo, não sugere que o turismo seja uma fonte da juventude, já que o envelhecimento é um processo biológico natural e inevitável. O foco é na otimização: uma viagem bem planejada, segura e prazerosa tem o potencial de manter o corpo mais ativo, equilibrado e resiliente, transformando a jornada do tempo em uma experiência de maior bem-estar e autonomia.

O Poder do Movimento e do Bem-Estar Mental

A pesquisadora Fangli Hu simplifica a complexidade científica: "Viajar e se movimentar tornam o sistema de autodefesa mais resiliente. Isso pode levar à liberação de hormônios que favorecem o reparo e a regeneração dos tecidos, impulsionando o sistema de autocura. A participação nessas atividades pode aprimorar a função imunológica e as capacidades de autodefesa do corpo, fortalecendo sua resistência contra riscos externos."

Segundo os autores do estudo, viagens prazerosas e bem-sucedidas são capazes de contribuir para a redução do estresse, estimular emoções positivas e incentivar o corpo a abandonar o sedentarismo. Em contraste, experiências estressantes, inseguras ou mal planejadas podem gerar o efeito oposto, amplificando os riscos físicos e emocionais.

Um dos pilares desse efeito benéfico reside no movimento físico. Durante as viagens, a rotina de muitos se transforma: caminhadas mais longas, mais tempo em pé, exploração de pontos turísticos, trilhas, passeios de bicicleta ou outras atividades ao ar livre. Sem sequer notar, o corpo se engaja em um nível de atividade superior ao cotidiano.

Fangli Hu ainda detalha que "o exercício físico também pode melhorar a circulação sanguínea, acelerar o transporte de nutrientes e ajudar na eliminação de resíduos, contribuindo coletivamente para manter um sistema ativo de autocura. O exercício moderado é benéfico para ossos, músculos e articulações, além de apoiar o sistema antidesgaste do corpo." Esse engajamento físico moderado não apenas fortalece músculos, ossos e articulações, mas é crucial para a manutenção da autonomia e da independência à medida que o tempo avança, permitindo uma vida plena por mais tempo.

Mas o impacto não é apenas físico; a mente também colhe frutos valiosos. A exposição a novos ambientes, a imersão em culturas distintas e a conexão com outras pessoas são experiências que comprovadamente reduzem o estresse e amplificam o bem-estar emocional. A ruptura temporária com a rotina diária muitas vezes se torna uma pausa essencial para reorganizar ideias, aliviar sobrecargas e promover uma clareza mental revigorante.

A concepção de que o turismo transcende o mero lazer enfatiza como as viagens podem enriquecer significativamente o bem-estar, especialmente quando envolvem segurança, um bom planejamento, momentos de descanso, contato social e atividade física regular.

Apesar do otimismo, a ciência mantém a cautela. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de aprofundar os estudos para mapear com precisão quais grupos populacionais se beneficiam mais, em que condições específicas e com que intensidade, garantindo que as recomendações sejam sempre baseadas em evidências sólidas.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário