TENSÃO DIPLOMÁTICA
Itamaraty exige explicações de Javier Milei após críticas ao Brasil
Mauro Vieira reúne-se com embaixador Julio Bitelli após falas de Javier Milei no Brasil. Governo brasileiro cobra explicações por agressões a instituições.
O governo brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática para apurar agressões verbais proferidas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra instituições e autoridades do país. A decisão, que ocorre nesta segunda-feira (27), envolve a articulação direta do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para alinhar a resposta oficial do Itamaraty ao episódio.
A tensão foi deflagrada após o discurso de Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL), realizada neste sábado (25). Durante o evento, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o mandatário argentino teceu críticas contundentes ao governo brasileiro e dirigiu ofensas diretas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, além de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em um movimento diplomático enérgico, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar formalmente a repulsa do governo. A pasta classificou o episódio como um fato "sem precedentes" e "lamentável", destacando que um presidente estrangeiro jamais havia utilizado o solo nacional para agredir o Chefe de Estado e o Poder Judiciário.
Apesar da gravidade, o chanceler Mauro Vieira descartou, momentaneamente, a ruptura total ou a retirada definitiva da representação brasileira na Argentina. "Nós precisamos de explicações do governo argentino sobre por que o presidente veio ao território brasileiro fazer esse tipo de declaração ríspida e inaceitável", afirmou o ministro, reforçando que a prioridade segue sendo a preservação dos canais de diálogo através da diplomacia.
A reação do Judiciário brasileiro também foi imediata. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, condenou as declarações, classificando-as como um desrespeito à soberania nacional e incompatíveis com a civilidade esperada entre Estados. Em nota, a Presidência do STF reafirmou a autonomia do tribunal e a necessidade de respeito às leis da República Federativa do Brasil.
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