SAÚDE DE CRIANÇAS EM RISCO

Ministério Público processa município de Mossoró por colapso na saúde de crianças

Fachada do Ambulatório Materno Infantil (AMI) em Mossoró, unidade de saúde infantil.
Ambulatório Materno Infantil (AMI) em Mossoró, onde foram identificadas falhas graves nos serviços.

Decisão do MP busca restabelecer atendimentos de Psicologia e Psicopedagogia no Ambulatório Materno Infantil (AMI), suspensos após encerramento de contratos.

O Ministério Público Estadual ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência contra o Município de Mossoró, nesta terça-feira, 16/06/2026. A medida visa corrigir falhas graves e a interrupção de serviços essenciais no Ambulatório Materno Infantil (AMI), unidade responsável pelo atendimento especializado de crianças, adolescentes, gestantes e mulheres. A decisão do MP se dá após identificar um cenário de “desassistência sistêmica” e “risco iminente de colapso” nos serviços, impactando diretamente a dignidade e o desenvolvimento de centenas de crianças.

A ação, protocolada em 3 de junho de 2026 pelo promotor de Justiça Rodrigo Pessoa de Morais, tem origem em um inquérito instaurado após denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público. Um relatório técnico elaborado pela equipe do órgão descreveu um quadro de insuficiência de profissionais e a interrupção de atendimentos cruciais. Os números revelam uma queda drástica nos atendimentos psicológicos: de 192 em dezembro de 2025 para apenas 71 em fevereiro de 2026, evidenciando um progressivo esvaziamento operacional da unidade.

Durante inspeção ministerial em 19 de maio de 2026, a própria direção do AMI confirmou a suspensão total dos serviços de Psicologia e Psicopedagogia desde 15 de abril, devido ao encerramento de contratos temporários de profissionais. Como resultado direto, mais de 200 crianças com suspeita de transtornos mentais e do neurodesenvolvimento ficaram sem acompanhamento especializado, emissão de laudos e encaminhamentos para serviços de referência como o CAPS Infantil e o Centro Especializado em Reabilitação. Essa interrupção pode gerar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social desses pequenos.

A Promotoria destacou que, apesar de haver concurso público vigente com candidatos aprovados em cadastro de reserva, o Município não realizou a reposição imediata dos profissionais. Diante disso, a ação judicial pede que a Justiça determine ao Município o restabelecimento integral dos atendimentos em até 15 dias, por meio de convocação imediata de aprovados em concurso ou contratação emergencial temporária. Em caso de descumprimento, o órgão requer multa diária de R$ 10 mil ao gestor municipal.

O processo tramita na Vara da Fazenda Pública de Mossoró. Em despacho de 8 de junho de 2026, o juiz Pedro Cordeiro Júnior determinou que o Município seja ouvido previamente, concedendo prazo de 72 horas para manifestação da Prefeitura antes de decidir sobre o pedido liminar. A decisão final sobre a tutela de urgência, que busca garantir o direito à saúde de crianças, adolescentes, gestantes e mulheres, aguarda apreciação do juízo.

O caso ganha destaque pelo contraste entre a celebração de um dos maiores eventos festivos do estado, o Mossoró Cidade Junina, e a grave situação encontrada na principal unidade de atendimento materno-infantil da região. A ação ministerial, embora não atribua responsabilidade pessoal ao ex-gestor, o pré-candidato Allyson Bezerra, aponta que a redução de serviços e a insuficiência de profissionais já eram registradas antes da suspensão total, culminando na necessidade de intervenção judicial.

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