TRUMP ATACA NETANYAHU

Trump expõe Netanyahu e questiona gestão da guerra no Líbano

Donald Trump durante coletiva de imprensa com Benjamin Netanyahu.
Donald Trump responde a pergunta de um repórter ao final de coletiva de imprensa com Benjamin Netanyahu em Mar-a-Lago, em 29 de dezembro de 2025, em Palm Beach, Flórida.

Presidente dos EUA critica publicamente a estratégia israelense, sugere alternativa síria para lidar com Hezbollah e amplia isolamento político do premiê Benjamin Netanyahu.

Numa demonstração de discordância pública, Donald Trump criticou Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 17/06/2026, sugerindo que a Síria poderia ser mais eficaz no combate ao Hezbollah do que Israel sob a liderança atual. A declaração, que reflete a frustração americana com o andamento da guerra no Líbano, atinge a reputação e a autoridade do premiê israelense, expondo publicamente as tensões entre os dois líderes e a insatisfação dos EUA com a estratégia adotada.

Trump expressou descontentamento com o número de baixas civis e a demora no conflito: "Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém. Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele (Ahmed al-Sharaa, presidente sírio) fará o trabalho." Embora a ideia de uma intervenção síria seja improvável, a simples menção serve como mais um golpe para Netanyahu, que já vinha recebendo duras críticas do presidente americano.

A necessidade de uma resolução rápida para o conflito por parte de Trump eclipsou os planos de Netanyahu. Com as eleições se aproximando em cinco meses, o premiê israelense se encontra em uma posição enfraquecida em relação ao Irã, sem ter alcançado seus objetivos de neutralizar o programa nuclear e alterar o regime iraniano. A incapacidade de garantir paz após a guerra afeta diretamente sua aprovação interna.

Donald Trump em evento em Mar-a-Lago, Flórida.
Donald Trump em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, em 29 de dezembro de 2025, em Palm Beach, Flórida. Foto: AP/Alex Brandon, arquivo.

Netanyahu, que mobilizou Trump para o conflito, ficou de fora das negociações de paz. Sua insistência em manter tropas no Sul do Líbano é vista como um erro estratégico, comparado pelo colunista Amos Harel, do "Haaretz", ao massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023. A falta de progresso e a percepção de que o Irã pode emergir fortalecido do conflito são notícias negativas para Israel.

Os detalhes do acordo entre EUA e Irã ainda são incertos, mas as implicações políticas para Netanyahu são claras. O programa nuclear iraniano permanece intacto, e a liberação de fundos para a República Islâmica pode fortalecer o regime. Esse cenário prolonga as tensões regionais e mina a influência de Netanyahu sobre seus apoiadores nos EUA.

Apesar de ter recebido elogios e apoio de Netanyahu no passado, Trump agora o classifica como "maluco" e "sem bom senso". A queda no apoio a Israel nos EUA dificulta a tarefa de Netanyahu em conseguir novas iniciativas militares com o aval americano. A exposição pública de suas falhas estratégicas por parte de Trump agrava sua situação política.

A intervenção verbal de Trump envia uma mensagem clara: a paciência americana com a condução israelense da guerra no Líbano está se esgotando. A decisão de criticar abertamente Netanyahu, especialmente com sugestões controversas, ressalta a complexidade das relações diplomáticas e o peso das palavras presidenciais no cenário internacional.

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