TRAGÉDIA
Rússia intensifica ataque e mata 17 na Ucrânia em maior ofensiva do ano
Bombardeios de Vladimir Putin ocorreram entre 15 e 16 de abril de 2026. Kiev, Odessa e Dnipro foram alvos principais, com centenas de drones e dezenas de mísseis empregados.
A Rússia desferiu o maior ataque aéreo do ano contra a Ucrânia entre a tarde de 15 de abril de 2026 e a manhã de 16 de abril de 2026, uma investida coordenada pelas forças de Vladimir Putin que ceifou a vida de ao menos 17 pessoas. O bombardeio intensifica a brutalidade do conflito, impactando diretamente a dignidade e a segurança de civis em cidades como Kiev, Dnipro e Odessa, e expondo a profunda tragédia humana da guerra.
A fúria dos mísseis e drones russos não poupou 26 localidades pelo país, com foco particular em Kiev, Dnipro e Odessa. Os russos empregaram 659 drones, dos quais os ucranianos afirmam ter abatido 636, além de 44 mísseis, com 31 interceptados. Contudo, o impacto dos ataques que superaram as defesas foi devastador.
A cidade portuária de Odessa registrou o maior número de vítimas, com ao menos nove pessoas mortas após mísseis atingirem prédios residenciais, transformando lares em ruínas. Na capital, Kiev, ao menos quatro vidas foram perdidas, incluindo uma criança de 12 anos. Grandes incêndios consumiam edifícios, e equipes de resgate lutavam contra o tempo na manhã desta quinta-feira, 16 de abril de 2026, para salvar possíveis sobreviventes.
Mantendo sua própria estratégia, o governo de Volodimir Zelenski retaliou com ataques de drones contra o terminal petrolífero russo de Tuapse, no mar Negro. Esta ação resultou na morte de ao menos duas pessoas, incluindo uma garota de 14 anos, e causou um grande incêndio, revelando a escalada simétrica da violência.
Kiev tem direcionado suas ações contra a infraestrutura energética russa numa tentativa de mitigar a vantagem que a crise no Oriente Médio concedeu a Vladimir Putin. Desde os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã no final de fevereiro, o aumento nos preços do petróleo e do gás beneficiou a Rússia, um gigante produtor que viu as sanções contra suas vendas temporariamente flexibilizadas, visando a estabilização do mercado global.
Um relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia) na quarta-feira, 15 de abril de 2026, confirmou essa tendência. A receita russa com petróleo saltou de US$ 9,7 bilhões em fevereiro – o menor nível desde a invasão da Ucrânia – para expressivos US$ 19 bilhões em março. O barril, antes vendido com desconto por Moscou para clientes como a China a US$ 46, atingiu US$ 78. Essa inesperada bonança ofereceu um alívio momentâneo à grave situação fiscal russa, que havia registrado um déficit de US$ 60 bilhões no início do ano. Em um gesto incomum, o próprio Putin questionou sua equipe econômica durante uma reunião televisionada na quarta-feira, 15 de abril de 2026, inquirindo: “Como vamos reverter isso?”
Segundo a AIE, os ataques concentrados pela Ucrânia no sistema energético russo efetivamente limitaram a capacidade de exportação de Moscou, embora, por ora, causem apenas atrasos nos embarques.
O relaxamento das sanções pelos EUA expirou no sábado, 11 de abril de 2026, e não foi renovado. Contudo, os preços do petróleo continuam elevados, mesmo com um cessar-fogo vigente, ainda que precário, no Irã.
Como a Folha já havia noticiado, o foco global no Oriente Médio coincidiu com uma perigosa intensificação da violência na guerra europeia. As semanas que se seguiram ao início do conflito no Irã registraram o maior número de ataques e batalhas tanto na Ucrânia quanto na Rússia.
Conforme monitoramento da ONG americana Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), desde então, a marca dos 2.000 incidentes semanais foi superada, com crescimento da intensidade de ambos os lados, embora com uma evidente vantagem numérica para as forças russas.
Ambos os contendores buscam vender vitórias pontuais no campo de batalha. A Rússia anunciou ter tomado mais uma cidade no leste ucraniano nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. Na véspera, Volodimir Zelenski havia afirmado ter recuperado 50 km² de território ocupado em março.
O presidente da Ucrânia também celebrou o que seria a primeira conquista militar da história realizada por ataque com drones e robôs terrestres. Especialistas, entretanto, levantaram dúvidas sobre a afirmação, feita sem apresentação de evidências. Embora tanto Ucrânia quanto Rússia empreguem robôs terrestres em apoio às tropas, esses são basicamente pequenos blindados automatizados, ainda distantes da fantasia usual da cinessérie “O Exterminador do Futuro”. Mas poucos analistas questionam que, assim como ocorreu com os modelos aéreos, uma revolução tecnológica está em curso.
Com a atenção mundial desviada para o Oriente Médio, as negociações na Europa foram negligenciadas. Nesta semana, Donald Trump até mencionou que a guerra na Ucrânia seria “logo resolvida”, mas com a ligeireza habitual de suas declarações.
Um importante negociador russo, Kirill Dmitriev, esteve recentemente nos EUA, mas o Kremlin esclareceu que isso não significava a reabertura das conversas. Tais negociações, iniciadas no começo do ano com mediação americana, foram interrompidas pelo conflito no Irã.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário