ATAQUE SELETIVO
Rússia atinge mosteiro patrimônio da UNESCO em Kyiv; Ucrânia bombardeia pontes na Crimeia
Ofensiva russa causa incêndio e danos em complexo monástico em Kyiv, classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Ucrânia responde com drones contra pontes que ligam Kherson à Crimeia.
Um ataque russo em grande escala contra a Ucrânia na madrugada desta segunda-feira, 15/06/2026, provocou um grave incêndio e destruiu parte da Lavra de Kyiv-Pechersk, um dos mosteiros cristãos mais antigos e importantes do país, localizado na capital, Kyiv. A ofensiva russa também deixou cinco socorristas mortos em Kharkiv e pelo menos 20 feridos na capital, com danos significativos à dignidade cultural e ao patrimônio da humanidade.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 70 mísseis e 611 drones em uma das maiores ofensivas aéreas recentes, mirando principalmente contra Kyiv, Dnipro e Kharkiv. A defesa ucraniana informou ter interceptado ou neutralizado eletronicamente 632 alvos, mas pelo menos 20 mísseis balísticos e 27 drones atingiram 42 locais em todo o país, impactando a vida de milhares de civis e a infraestrutura.
Em resposta, um ataque ucraniano com drones atingiu duas pontes que ligam a região de Kherson, controlada por Moscou, à península da Crimeia, anexada pela Rússia, afetando o tráfego e a logística. Do lado russo, o Ministério da Defesa afirmou que suas defesas aéreas derrubaram 123 drones ucranianos durante a noite.
O telhado da Catedral da Dormição, que integra o complexo monástico de Kyiv-Pechersk, pegou fogo e sofreu danos substanciais durante o bombardeio. O local, também conhecido como Mosteiro das Cavernas, construído entre os séculos XI e XIX, é classificado como Patrimônio Mundial pela Unesco, um símbolo de valor inestimável para a história e a cultura mundial.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, repudiou o bombardeio, classificando-o como um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã e apelando urgentemente aos países do G7 para que aumentem a pressão sobre o Kremlin e intensifiquem o envio de sistemas de defesa aérea.
Metropolita Epifânio, chefe da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, condenou a ação como mais um crime contra a humanidade, a história e o cristianismo. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que iniciarão procedimentos urgentes dentro da Unesco para respostas imediatas e adequadas a este "barbarismo de Estado". O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, comparou a ação a um bombardeio a Notre Dame ou à Basílica de Saint-Denis, considerando-a inaceitável.
Os bombardeios deixaram um rastro de destruição e mortes em áreas urbanas. Em Kyiv, o chefe da Administração Militar relatou quatro mortos e pelo menos 30 feridos, incluindo duas crianças. Ataques contra prédios residenciais foram considerados uma "decisão deliberada" de Moscou, gerando medo e insegurança na população.
Em Kharkiv, a tática "toque duplo" resultou na morte de quatro socorristas e um funcionário municipal, além de feridos, após o lançamento de drones adicionais logo após a chegada das equipes de emergência. Ataques em Dnipro destruíram o prédio de uma faculdade e atingiram escolas, afetando a educação e a vida cultural.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou os ataques, alegando ter usado armas de precisão contra alvos militares legítimos, como indústrias bélicas, centros de recrutamento e bases aéreas.
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