Bombardeio

Rússia anuncia ataque inédito e pede que estrangeiros deixem Kiev

Vista aérea da cidade de Kiev, Ucrânia, sob alerta de ataque.
Imagens de satélite mostram a cidade de Kiev, capital da Ucrânia.

Na segunda-feira, 25/05/2026, a Rússia emitiu um alerta inédito, afirmando que atacará "centros de decisão e comando" na Ucrânia e pedindo que estrangeiros deixem Kiev. Medida visa retaliar morte de estudantes em Lugansk.

A Rússia emitiu um alerta inédito nesta segunda-feira, 25/05/2026, indicando que atacará "centros de decisão e comando" na Ucrânia. Pela primeira vez desde o início da invasão em 2022, o país pediu que cidadãos estrangeiros deixem Kiev. Moradores da capital ucraniana também foram instruídos a se afastarem de prédios governamentais.

O Ministério das Relações Exteriores russo justificou a operação como uma retaliação pela morte de 21 estudantes em um dormitório na região de Lugansk, ocupada pelas forças russas no leste ucraniano. O comunicado também mencionou que indústrias de defesa seriam alvos de ataques.

O ataque ao dormitório, ocorrido na sexta-feira, 22/05/2026, foi um dos mais mortíferos contra civis do lado russo no conflito e gerou críticas do presidente Vladimir Putin. No domingo, 24/05/2026, ele já havia ordenado um pesado ataque aéreo contra a região de Kiev, que resultou em quatro mortes e 80 feridos.

O bombardeio de domingo envolveu 600 drones e 90 mísseis, incluindo modelos hipersônicos como os Kinjal e Tsirkon. Foi empregado, ainda, pelo menos um supermíssil Orechnik, um modelo desenvolvido para guerras nucleares que, até então, havia sido utilizado apenas duas vezes na guerra e nunca contra a região de Kiev.

O uso do Orechnik gerou protestos na Europa. O míssil balístico de alcance intermediário possui capacidade para atingir alvos a até 5.000 km de distância, sendo projetado para aniquilar capitais continentais. Putin já havia sinalizado sua intenção com ações anteriores.

Nas semanas anteriores, a Rússia realizou testes com seu novo míssil intercontinental pesado, o Sarmat. Na semana passada, foram conduzidos três dias de exercícios nucleares, os maiores desde o fim da Guerra Fria, uma prática usualmente restrita ao mês de outubro.

Durante esses exercícios, foram testadas armas estratégicas, concebidas para destruir cidades e vencer guerras, como mísseis lançados do solo, os Iars, e o Sineva, modelo disparado de submarinos. Em cooperação com a Belarus, foi simulado o uso de mísseis balísticos Iskander-M, com potencial para emprego de ogivas nucleares táticas, de uso mais restrito ao campo de batalha.

O ataque ao dormitório em Lugansk soma-se ao acirramento da campanha de drones da Ucrânia contra alvos russos, especialmente instalações da indústria petrolífera do país.

A crise no Oriente Médio levou os Estados Unidos a flexibilizarem sanções sobre a venda de petróleo russo, em uma tentativa de controlar os preços globais da commodity. Essa medida resultou em um aumento significativo da entrada de petrodólares na Rússia, comparável aos níveis anteriores ao conflito com a Ucrânia.

A guerra contra o Irã desviou a atenção de Donald Trump do conflito europeu, o que resultou no congelamento de negociações que se arrastavam desde o ano passado. Como consequência, ambos os lados aumentaram a escalada de violência em campo, culminando no inédito alerta russo.

Fontes da área militar em Moscou relataram que o governo Putin discute há tempos a possibilidade de promover um ataque mais devastador contra o governo de Volodimir Zelenski, possivelmente visando o próprio presidente. Até o momento, tal ação era considerada inócua, pois países preparados para essa hipótese possuem a capacidade de manter governos funcionais, como demonstrado pela decapitação do regime teocrático do Irã, onde o país manteve estabilidade governamental mesmo após um evento extremo.

No contexto dos centros de comando militares de Kiev, o governo ucraniano já dispersou sua estrutura por todo o país ao longo dos anos. Ainda assim, um ataque direto ao quarteirão onde se localiza a sede do governo, na rua Bankova, poderia gerar um impacto psicológico considerável.

Observadores apontam, contudo, que Zelenski dificilmente seria atingido e que tal ação poderia exacerbar a resistência ucraniana. Após algum avanço no início do ano, as forças russas encontram a linha de frente estagnada.

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