TENSÃO

Irã reage a bloqueio americano e ameaça rotas marítimas

Mapa da região do Oriente Médio, Mar Vermelho e Estreito de Hormuz, destacando rotas de navios e comércio internacional sob ameaça.
Mapa do Estreito de Hormuz e Mar Vermelho, rotas marítimas essenciais para o comércio global de petróleo.

Teerã exige fim do embargo imposto por Trump no dia 13; navio chinês sob sanção já retorna. Impacto global à vista.

Nesta quarta-feira, dia 15, o comando militar do Irã emitiu um alerta que eleva as tensões globais, ameaçando conter o comércio internacional no Mar Vermelho. A medida busca forçar os Estados Unidos a levantar o bloqueio naval imposto desde o dia 13 aos portos iranianos, crucial para pressionar Teerã em meio a negociações de paz e evitar um colapso ainda maior nas cadeias de suprimentos e nos preços do petróleo para milhões de consumidores ao redor do mundo.

Para concretizar a ameaça, o Irã planeja acionar seus aliados Houthis, rebeldes que controlam grande parte do Iêmen. Esses grupos já causaram severos impactos nas rotas marítimas regionais entre 2023 e 2025, durante o conflito entre Israel e o Hamas, demonstrando a capacidade de perturbar o fluxo comercial e energético mundial.

Equipados com um vasto arsenal de mísseis e drones, os Houthis atacaram Israel previamente, em apoio a Teerã no conflito em curso. Atualmente, eles cumprem o cessar-fogo anunciado por Donald Trump na terça-feira, dia 7, da semana anterior, uma trégua que pende de um fio diante das novas escaladas.

Uma ação militar no Mar Vermelho teria repercussões globais. Prejudicaria não apenas a exportação de petróleo saudita pelo porto de Yanbu, mas também afetaria cadeias de suprimentos internacionais, incluindo as exportações do agronegócio brasileiro, que atualmente desviam suas rotas para a costa oeste da península Arábica a fim de alcançar os mercados do Oriente Médio, elevando custos e incertezas para produtores e consumidores.

O bloqueio, por sua vez, completava seu terceiro dia no dia 15, uma quarta-feira, em meio a relatos conflitantes sobre sua eficácia. O ex-presidente Donald Trump determinou essa medida para intensificar a pressão sobre Teerã, buscando uma resolução para o impasse enquanto negociações de paz entre os rivais prosseguem nos bastidores.

Um dos episódios mais emblemáticos envolve o navio chinês Rich Starry, sob sanções americanas por seu histórico de transporte de petróleo e derivados iranianos. A embarcação havia deixado o Golfo Pérsico e transitado por Hormuz entre a segunda-feira, dia 13 – data do início do bloqueio – e a terça-feira, dia 14.

Contudo, no dia 15, uma quarta-feira, o navio retornou por Hormuz e ancorou próximo ao Irã. A situação é complexa, pois a embarcação transporta 250 mil barris de metanol carregados nos Emirados Árabes Unidos, o que, em tese, o colocaria fora do alcance direto das sanções de bloqueio.

Permanece incerto se o Rich Starry pagou o "pedágio" que Teerã tentou instituir por meio de uma nova rota que atravessa suas águas em Hormuz. A medida veio após o Irã declarar ter minado o caminho usual pelo centro do corredor estratégico, aumentando os riscos para a navegação.

Na véspera da ameaça iraniana, o líder chinês Xi Jinping criticou duramente o conflito, e sua chancelaria classificou as restrições americanas como irresponsáveis e perigosas. A posição de Pequim reflete a importância estratégica do Irã, que em 2025, foi o terceiro maior fornecedor de petróleo para a China.

Em contrapartida, a agência de notícias iraniana Fars noticiou que um superpetroleiro teria conseguido romper o bloqueio americano e chegado a um porto iraniano para carregamento. Contudo, monitores de tráfego marítimo não confirmam esse trânsito, levantando dúvidas sobre a veracidade. É prática comum desligar o sistema de identificação da embarcação para evitar detecção, tornando a fiscalização extremamente desafiadora.

Consultorias marítimas como Kpler e LSEG afirmam não haver registro de petroleiros iranianos que deixaram Hormuz desde o começo do embargo. Mesmo assim, Teerã sustenta que não sofre prejuízos, alegando que os próprios EUA autorizaram a comercialização de seu petróleo embarcado fora da região, numa tentativa de amenizar a pressão sobre os preços globais da commodity.

A Fars também reporta que Teerã analisa a possibilidade de utilizar portos com pouca operação na costa sul do país, fora da área de embargo. No entanto, a viabilidade é questionável, já que aproximadamente 90% do petróleo exportado pelo Irã tem origem no terminal da ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, um ponto altamente estratégico.

Os Estados Unidos declaram ter mobilizado 10 mil soldados na operação para rastrear navios em "modo fantasma", ou seja, com os transponders desligados. Segundo militares americanos, pelo menos dois petroleiros foram interceptados após deixarem o porto iraniano de Chabahar, sendo compelidos a retornar.

As circunstâncias exatas dessas abordagens permanecem obscuras. As regras de engajamento para bloqueios navais preveem que a Marinha impositora alerte a embarcação primeiro. Em caso de não conformidade, pode haver abordagem com lanchas ou helicópteros, e a situação pode escalar para apreensão ou, em caso de resistência, o afundamento do navio, com potencial para incidentes graves.

Serviços de monitoramento de tráfego na região indicam que, na terça-feira, pelo menos oito navios cruzaram Hormuz. Essas embarcações se dirigiam ou partiam de portos de outras nações, não afetadas pelo embargo. Contudo, os EUA reportaram à mídia americana a passagem de até 20 navios.

Entre as embarcações que transitaram, destaca-se outro superpetroleiro sob sanção americana, o Alicia, conhecido por transportar petróleo iraniano desde 2023. O navio seguiu vazio para carregar óleo no Iraque, assim como o Agios Fanourios 1, evidenciando as manobras para contornar as restrições.

Esse turbilhão de versões e ações desenrola-se enquanto os Estados Unidos, que iniciaram o conflito contra o Irã em 28 de fevereiro, ao lado de Israel, e o congelaram na semana anterior, buscam desesperadamente uma solução para a crise. A urgência se deve à proximidade da expiração da trégua, marcada para a próxima terça-feira, dia 21, data que pode definir os rumos da paz ou da escalada na região.

Donald Trump concedeu diversas entrevistas na noite da terça-feira anterior, reiterando à rede britânica Sky News sua esperança de um breve desfecho para o conflito. À americana ABC, ele manifestou expectativa de novidades em "talvez dois dias", mantendo a indefinição sobre o cronograma da paz.

As negociações diretas com o Irã, ocorridas no último fim de semana no Paquistão, deverão ser retomadas. Apesar de não terem gerado uma solução imediata, a manutenção do cessar-fogo sinaliza uma disposição das partes em prosseguir com o diálogo, mesmo diante do recrudescimento das tensões com o bloqueio e as ameaças iranianas.

No dia 15, uma quarta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que seu país prioriza a paz em detrimento da guerra. A chancelaria em Teerã informou sobre a possível chegada de uma delegação paquistanesa à capital, ainda no dia 15, para coletar mensagens destinadas aos americanos, buscando acertar a próxima rodada de encontros diplomáticos.

Donald Trump, que desde o início do conflito adotou uma postura imprevisível, apresentando múltiplos "casus belli" sem se apegar a nenhum, agora parece focar na obtenção de uma solução para a crise em Hormuz e em um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Críticos da política americana observam que tais resultados poderiam ter sido alcançados sem a deflagração da guerra. Na prática, a busca atual pode culminar em um acordo similar ao de 2015, rejeitado pelo próprio Trump três anos mais tarde, visando congelar as atividades atômicas de Teerã por um período determinado.

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