DÓLARES E SANGUE
EUA já gastam US$ 25 bilhões na guerra do Irã, diz Defesa no Congresso
Pete Hegseth defendeu proposta de US$ 1,5 trilhão para 2027 e foi cobrado sobre o limite constitucional de 60 dias para o conflito e a verdade por trás dos ataques.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, revelou em audiência tensa no Congresso, nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, que a guerra no Irã já custou US$ 25 bilhões aos cofres americanos. O depoimento, o primeiro desde o início do conflito, ocorreu para defender a proposta orçamentária para 2027 e enfrentou intensa pressão parlamentar sobre os crescentes custos da operação militar e suas consequências humanitárias, especialmente com o prazo constitucional para a retirada de tropas se aproximando.
O montante de US$ 25 bilhões, equivalente a cerca de R$ 125 bilhões, representa 2,7% do orçamento total do departamento de US$ 901 bilhões (R$ 4,5 trilhões) autorizado para 2026. A Casa Branca, entretanto, prevê um orçamento de US$ 1,5 trilhão para 2027, um aumento de 40%, que ainda exige autorização do Congresso.
Embora o objetivo central da audiência fosse o debate orçamentário, o conflito no Irã dominou as discussões. A guerra completa 60 dias na quinta-feira, 30 de abril de 2026, um marco crucial, pois a Constituição prevê que este é o tempo limite para o presidente começar a retirar as tropas ou buscar a autorização do Congresso para a continuidade dos ataques. Hegseth, contudo, não soube responder sobre a duração esperada do conflito.
Apesar das incertezas, o secretário reiterou a afirmação do presidente Donald Trump, feita no início da ofensiva, de que os EUA seriam os vencedores da guerra, que Trump inicialmente previu durar "quatro ou cinco semanas".
Hegseth evitou responder a diversos questionamentos, como o custo total do conflito para o cidadão americano ou o limite de gastos do Pentágono. Em vez disso, desafiou os parlamentares: "Quanto vocês estariam dispostos a pagar para garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear?"
O secretário também se recusou a confirmar se aconselhou o presidente Trump a iniciar os ataques e a comentar sobre o bombardeio a uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, no início do conflito. O ataque deixou ao menos 150 vítimas. Apesar de investigações preliminares do Pentágono apontarem que a explosão foi causada pelos EUA, Hegseth defendeu que o caso ainda está sob análise.
O deputado democrata Adam Smith criticou a postura: "Para mim, não há qualquer dúvida do que aconteceu: cometemos um erro e isso acontece em guerra. Mesmo assim, dois meses depois disso ter acontecido, nós nos recusamos a falar disso dando a impressão ao resto do mundo que nós não nos importamos e deveríamos nos importar", declarou Smith, expondo a ferida da dignidade das vítimas e a falta de transparência.
Outro momento de tensão envolveu o deputado democrata John Garamendi, que insistiu na falta de justificativas claras para a guerra e acusou o governo de mudar constantemente as explicações. "Vocês têm mentido para o povo americano desde o primeiro dia", afirmou Garamendi, rotulando o secretário de "incompetente" e evidenciando a crescente desconfiança pública.
A audiência também presenciou a ironia do deputado democrata Salud Carbajal, que comparou seu apreço pelo filme "Pulp Fiction", do diretor Quentin Tarantino, com o do secretário. "Mas, eu sei que o filme não é uma cópia fiel da Bíblia. Você sabe do que eu estou falando", provocou Carbajal.
A referência aludia a um episódio recente em que Hegseth recitou uma adaptação de um falso trecho bíblico do filme de Tarantino durante uma oração no Pentágono. Na ocasião, ele alegou ter recebido o trecho de um oficial responsável pelo planejamento de uma missão de resgate de um militar americano no Irã. Cristão fervoroso, Hegseth incorpora símbolos religiosos em seus discursos, como ao comparar o resgate de um militar após seu caça ser abatido no Domingo de Páscoa à ressurreição de Jesus Cristo, e ao pedir que os americanos rezassem de joelhos pelas tropas em meio ao conflito.
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