CONFRONTO IMINENTE

EUA e Irã elevam ameaças em rota vital

Mapa do Estreito de Ormuz com navios de guerra, ilustrando o bloqueio naval e as tensões entre EUA e Irã.
Irã afirma que vai responder com firmeza à bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz.

Donald Trump decreta bloqueio em Ormuz e promete 'eliminar' navios; Teerã reage à imposição norte-americana na via marítima estratégica.

Em um pronunciamento de alta voltagem, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2020, que militares norte-americanos irão "destruir" qualquer embarcação iraniana que se aproximar do bloqueio imposto por Washington no vital Estreito de Ormuz. A medida, que entrou em vigor às 11h de Brasília, visa a interdição de navios com destino ou origem em portos iranianos, justificando-se como uma extensão do rigor empregado em operações antidrogas no Caribe. Esta decisão radical eleva a níveis perigosos a tensão geopolítica, colocando em risco a estabilidade regional e a liberdade de navegação em uma das rotas marítimas mais cruciais do mundo.

Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para detalhar a ameaça, afirmando que aplicará aos navios iranianos "o mesmo sistema de eliminação" que seu governo utiliza em operações no Caribe contra embarcações suspeitas de transportar drogas para o território norte-americano. "Aviso: Se algum desses navios (iranianos) se aproximar do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, usando o mesmo sistema de eliminação que usamos contra os traficantes de drogas em barcos no mar. É rápido e brutal", escreveu o então presidente, acrescentando um dado de suposto sucesso nas operações antidrogas: "P.S.: 98,2% das drogas que entravam nos EUA por via marítima ou oceânica PARARAM!".

O bloqueio, que as Forças Armadas dos EUA confirmaram ser aplicado a qualquer embarcação que transite pelo Estreito de Ormuz com origem ou destino em portos iranianos, gerou um alerta imediato. A agência marítima do governo do Reino Unido (UKMTO) já havia emitido um aviso aos navios sobre o início da interdição, que começou precisamente às 11h (horário de Brasília) daquela segunda-feira. A região, já marcada por um bloqueio iraniano que perdurava há mais de um mês, vê agora uma intensificação das hostilidades.

A reação do regime iraniano foi veemente. As autoridades de Teerã classificaram a ação dos Estados Unidos como "ilegal e um exemplo de pirataria", denunciando a imposição de um bloqueio unilateral em uma via marítima de importância global. A troca de acusações e ameaças adiciona camadas de complexidade a um cenário já volátil no Oriente Médio, com o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial, transformando-se em um palco de potenciais confrontos.

Em sua postagem, Trump também fez alegações sobre a capacidade militar iraniana, afirmando que os EUA já teriam "eliminado 158 navios militares iranianos". Ele complementou: "A Marinha do Irã jaz no fundo do mar, completamente destruída – 158 navios. O que não atingimos foram seus poucos navios, que eles chamam de 'navios de ataque rápido', porque não os consideramos uma grande ameaça". Tais declarações, desprovidas de confirmação independente, sublinham a gravidade da retórica empregada.

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