GESTÃO PÚBLICA
RN restringe regime de teletrabalho na administração estadual
Apenas 0,64% dos servidores do Rio Grande do Norte atuam em modelo remoto, enquanto governo federal amplia adesão ao Programa de Gestão e Desempenho
A estrutura administrativa do Rio Grande do Norte mantém uma postura restritiva quanto ao teletrabalho, com a adesão concentrada em apenas oito órgãos estaduais, conforme dados consolidados pela Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado da Administração (Sead). A decisão, que reflete uma política de presença física, impacta a rotina de milhares de servidores e a própria dinâmica de funcionamento do Estado.
O levantamento referente a 2024 aponta que apenas 345 servidores estaduais estavam em regime de teletrabalho entre junho de 2023 e junho de 2024. Este número representa uma parcela ínfima de 0,64% da força de trabalho ativa, composta por 53.512 pessoas. De um total de 49 entidades avaliadas, 41 não adotam qualquer modalidade de trabalho remoto.
Os departamentos que ainda permitem o regime incluem o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o Gabinete da Vice-Governadoria do Estado do Rio Grande do Norte (GVG), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), a Secretaria de Estado da Administração (Sead), a Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas), o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern) e a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
Na esfera municipal de Natal, o cenário é de interrupção total. A modalidade, que foi implementada em caráter de exceção durante a pandemia de Covid-19, foi integralmente revogada após a conclusão do período de emergência sanitária, não havendo hoje servidores municipais atuando de forma remota.
O panorama local destoa drasticamente da estratégia adotada pelo governo federal. Segundo informações do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), 107,8 mil servidores federais operam em formato híbrido ou integral, impulsionados pela implementação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD). Este modelo prioriza a entrega de metas e resultados em detrimento do controle tradicional de frequência.
Especialistas alertam que a resistência ao teletrabalho pode influenciar a qualidade de vida e a produtividade da força de trabalho. Gabriela Nunes, professora de Gestão de Carreiras da Fundação Getulio Vargas, destaca que, embora o home office ofereça autonomia, ele exige a superação de barreiras na comunicação e na cultura organizacional para ser plenamente eficiente.
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