REDUÇÃO HISTÓRICA

Atlas da Violência 2026: Rio Grande do Norte alcança menor taxa de homicídios em 10 anos

Gráfico com a evolução da taxa de homicídios no Rio Grande do Norte, mostrando a redução em 2024.
Atlas da Violência 2026 aponta queda histórica em homicídios no Rio Grande do Norte.

Apesar da queda de 51,6% na taxa estadual desde 2014, internações por tentativas de homicídio e encarceramento preocupam. Jovens e mulheres negras ainda sofrem com altos índices de violência letal.

O Rio Grande do Norte registrou 809 homicídios em 2024, com taxa de 23,5 mortes por 100 mil habitantes. Este índice representa a menor marca da série histórica analisada no Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, 26/05, pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A decisão reflete uma significativa redução acumulada de 51,6% na taxa estadual e de 49,5% no número absoluto de vítimas entre 2014 e 2024, posicionando o RN entre os cinco estados com maior queda proporcional no país durante o período.

Nos últimos cinco anos (2019–2024), a taxa de homicídios no Rio Grande do Norte recuou 40,8%, a terceira maior redução entre as unidades da federação. Apenas o Distrito Federal e Goiás superaram esse índice. Em Natal, a taxa por 100 mil habitantes caiu 64,2% entre 2014 e 2024 e 37,6% nos últimos cinco anos, consolidando a capital potiguar como aquela com maior redução histórica entre as 27 capitais brasileiras.

Apesar da trajetória positiva em homicídios, o estado exibe indicadores preocupantes em outras frentes. O Rio Grande do Norte figura com a segunda maior taxa de internações por tentativa de homicídio entre homens (44,6 por 100 mil) e entre mulheres (48,7 por 100 mil), ficando atrás apenas do Pará. Em 2024, o estado registrou 40 homicídios de mulheres, uma queda de 7% em relação a 2023. Embora a taxa de feminicídio no RN esteja abaixo da média nacional, o Atlas alerta que a subnotificação pode distorcer a real dimensão do problema.

Outro dado alarmante é a proporção de homicídios cometidos com arma de fogo no estado, que representa 78,6% do total. Esse percentual, praticamente estável nos últimos quatro anos, mantém-se entre os mais altos do país. O Rio Grande do Norte também apresenta uma elevada taxa de encarceramento, com 476 presos por 100 mil habitantes em 2024, um aumento de 15,5% em relação a 2023 e superior à média nacional. Esse cenário sinaliza uma pressão crescente sobre o sistema prisional potiguar.

Em âmbito nacional, o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, totalizando 20,1 casos por 100 mil habitantes. Essa marca representa uma redução de 7,4% em comparação com 2023 e constitui o menor patamar da série histórica iniciada em 2014. A análise, publicada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, também aborda as Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Ao aplicar uma metodologia que estima homicídios ocultos a partir dessas ocorrências, os pesquisadores buscam trazer maior precisão aos dados sobre violência letal.

A juventude continua no centro da violência letal brasileira. Crianças e adolescentes enfrentam um ciclo de violências não letais que frequentemente antecedem desfechos graves. O crescimento de notificações de violência sexual é particularmente crítico: na primeira infância (0 a 4 anos), os registros mais que quadruplicaram em uma década, saltando de 1.671 casos em 2014 para 7.845 em 2024. Na faixa etária de 5 a 14 anos, o aumento foi de 6.594 para 29.135 notificações no mesmo período.

Embora os dados gerais indiquem uma redução de 27,7% nos homicídios de mulheres no Brasil entre 2014 e 2024, o índice de mulheres assassinadas dentro de casa permaneceu praticamente estável. Essa constatação sugere que a diminuição observada foi puxada por homicídios fora do ambiente doméstico, e não por uma redução nos feminicídios. A violência letal persiste de forma mais intensa entre mulheres negras, com uma taxa 66,7% superior à de mulheres não negras, evidenciando a interseccionalidade entre gênero e raça.

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Comentários (1)

Enio
Enio
há 1 mês

Matéria paga só engana. Blog mentiroso.

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