EMPREGOS FORMAIS

Brasil cria 228 mil empregos em março, mas ritmo cai

Uma carteira de trabalho azul, simbolizando o emprego formal e os direitos trabalhistas no Brasil.
Carteira de trabalho: documento essencial para o emprego formal no Brasil.

Ministério do Trabalho e Emprego revela saldo de vagas, impulsionado por serviços. Salário médio de admissão reduz em relação a 2025.

O mercado de trabalho brasileiro registrou a criação de 228.208 empregos formais no mês de março, um dado divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. Esta movimentação econômica, baseada nas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), impacta diretamente a vida de milhares de famílias ao oferecer oportunidades de renda e dignidade, apesar de indicar uma desaceleração no ritmo de abertura de vagas.

O saldo positivo foi resultado de 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos formalizados no período. Embora as projeções dos agentes financeiros indicassem um saldo similar de 220 mil empregos formais em março, o resultado veio em linha com as expectativas, mas revelando uma tendência de arrefecimento.

O mercado de trabalho brasileiro, no entanto, segue mostrando sinais de desaceleração. Em fevereiro de 2026, o país havia criado 268.384 vagas formais. Em comparação, houve uma queda de 15% na abertura de novos postos de trabalho em março, evidenciando um desafio para a plena recuperação da economia e a estabilidade das famílias.

O estoque de empregos formais no Brasil subiu para 49,08 milhões em março. Esse número representava 48,9 milhões em fevereiro de 2026 e 47,9 milhões no mesmo mês de 2025. Ao longo de 12 meses, o número de vagas com carteira assinada aumentou 2,34%, indicando um crescimento gradual, mas com a recente perda de fôlego.

Entre os setores, os serviços se destacaram como o grande impulsionador da contratação em março, gerando 152.391 vagas, nos dados sem ajustes. A distribuição das novas vagas ou desligamentos por setor revela a dinâmica da economia:

  • Serviços: 152.391 novas vagas;
  • Construção: 38.316 novas vagas;
  • Indústria: 28.336 novas vagas;
  • Comércio: 27.267 novas vagas;
  • Agropecuária: -18.096 vagas (saldo negativo).

Segundo o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, os dados negativos na agropecuária foram decorrentes da sazonalidade das safras de açúcar e maçã, um fenômeno comum em certas épocas do ano.

No acumulado de janeiro a março de 2026, com os dados ajustados, a contribuição dos setores foi a seguinte:

  • Serviços: 382,3 mil vagas;
  • Construção: 120,5 mil vagas;
  • Indústria: 115,3 mil vagas;
  • Agropecuária: 14.752 vagas;
  • Comércio: -19.525 vagas (saldo negativo).

O primeiro trimestre de 2026 encerrou com a criação de 613.373 empregos com carteira assinada em todo o Brasil. Contudo, esse número representa uma queda de 9,15% em relação ao mesmo período de 2025, quando o total de vagas criadas foi de 675.119. A preocupação se estende ao salário médio real de admissão, que em março de 2026 foi de R$ 2.350,83, uma redução em comparação ao valor registrado no mesmo mês de 2025 (R$ 2.368,33), o que afeta diretamente o poder de compra dos trabalhadores.

O número de requerimentos para o seguro-desemprego em março de 2026 também acende um alerta: 753,9 mil solicitações, um aumento significativo em relação aos 638,7 mil requeridos em fevereiro de 2026 e aos 671,3 mil de março de 2025. Esse dado reflete a instabilidade e a ansiedade de muitos brasileiros que buscam apoio financeiro após a perda de suas vagas, sublinhando a necessidade de políticas eficazes para a manutenção e expansão do emprego formal.

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