ÉTICA NA POLÍTICA
Zema atinge aliados ao criticar uso de jatinhos
Ex-governador afirma que proximidade com ex-banqueiro Daniel Vorcaro desqualifica para cargos públicos. Críticas miram STF, mas alcançam nomes influentes.
O pré-candidato à Presidência pelo Novo e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, lançou um desafio à integridade da política brasileira neste domingo, 3 de maio de 2026, ao declarar que figuras públicas com ligação ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, detido no caso Master, não deveriam ocupar cargos. Durante entrevista ao programa "Canal Livre" da Band, Zema, com suas críticas, mirou diretamente ministros do Supremo Tribunal Federal, mas inadvertidamente alcançou também diversos aliados políticos. A acusação, que associa nomes proeminentes ao que ele considera "o maior criminoso financeiro da história do Brasil", reacende o debate sobre a ética e a impunidade no serviço público, com ecos que podem influenciar as eleições de 2026.
Zema concedeu entrevista ao programa “Canal Livre” da Band, transmitida neste domingo, 3 de maio de 2026. Ele declarou que os eleitores decidirão, em outubro de 2026, se quem manda no Brasil são os “intocáveis” ou os “brasileiros de bem”. Defendeu que ministros do STF usam o cargo para “enriquecimento” próprio e como balcão de negócios, afirmando que a permanência de alguns integrantes da Corte no cargo é “insustentável”.
Ao ser questionado sobre quem deveria ser afastado, Zema respondeu: “Está muito visível aí. Não precisamos dizer os nomes. [São] Todos aqueles que voaram em jatinhos de pessoas ligadas ao que me parece ser o maior criminoso financeiro da história do Brasil. Todos aqueles que tiveram contrato, proximidade, que conviveram com esse grande criminoso, na minha opinião, não merece cargo público”. A fala ressoa com a percepção pública de privilégios e a demanda por transparência na conduta de figuras políticas.
Entre os políticos que utilizaram aeronaves de Daniel Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, destaca-se o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Embora o TCU (Tribunal de Contas da União) tenha arquivado uma representação que pedia investigação, o caso foi encaminhado à Justiça Eleitoral para as devidas averiguações.
Outros nomes que também viajaram em aeronave do ex-banqueiro incluem o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados federais Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Rodrigo Gambale (Podemos-SP), além de dois ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL): Fábio Faria (Comunicações, 2020-2022) e Bruno Bianco (AGU, 2021-2022). A menção a esses nomes sublinha a amplitude das conexões e a sensibilidade do tema, que transcende divisões partidárias.
Zema defendeu que o escândalo do Banco Master é um sintoma da impunidade no Brasil. Segundo ele, o enfraquecimento da Operação Lava Jato permitiu que "raposas" se infiltrassem no "galinheiro", referindo-se à corrupção, e declarou que o caso Master possui "tentáculos" dentro do governo. Ele lamentou que a desarticulação da força-tarefa tenha aberto precedentes para tais práticas, afetando a confiança da população nas instituições.
“Se nós tivéssemos mantidas as punições da Lava Jato, é pouco provável que o Master tivesse repetição”, disse o ex-governador, enfatizando a necessidade de rigor na aplicação da lei para evitar novos casos que comprometam o erário público e a moralidade administrativa.
Como pré-candidato do Novo à Presidência da República, Zema figura em levantamentos importantes. Pesquisa da AtlasIntel divulgada na terça-feira, 28 de abril de 2026, indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empata em cenários de segundo turno com o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e com o próprio ex-governador de Minas Gerais.
Outro levantamento, da Quaest, publicado também na terça-feira, 28 de abril de 2026, revelou uma alta aprovação de 52% para a gestão do ex-governador do Novo em seu Estado, Minas Gerais, demonstrando um respaldo significativo de sua base eleitoral.
Abordando a SEGURANÇA PÚBLICA, Zema elogiou as políticas adotadas em El Salvador para a redução de homicídios e defendeu que facções criminosas e o crime organizado sejam enquadrados como terrorismo. “É uma pena mínima de 25 anos, sem direito a nenhum tipo de benefício”, pontuou, indicando uma postura linha-dura contra a criminalidade que visa restaurar a ordem social e a sensação de segurança para a população.
O ex-governador afirmou que “encarecerá” o custo do crime, mesmo que isso signifique a construção de novos presídios ou a superlotação das unidades existentes. “Não tem problema. Prefiro bandido preso do que bandido na rua”, declarou, defendendo uma visão punitivista que busca proteger o cidadão de bem.
Ele relatou ter visitado comunidades na América Central para observar os resultados do endurecimento do combate ao crime. Zema disse ter proposto ao governo Lula um texto para coibir a liberação, em audiências de custódia, de pessoas reincidentes em crimes, mas lamentou que o então ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski não tenha acatado a sugestão, frustrando uma possível medida para maior efetividade da justiça.
O pré-candidato ainda defendeu a castração química para homens que cometem feminicídio, além de uma pena de 30 anos sem qualquer concessão de benefícios, propostas que acentuam sua visão de uma justiça mais severa e a busca por freios à violência que tanto aflige a sociedade.
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