MOVIMENTOS DE CAMPO

Tarcísio de Freitas distancia-se do bolsonarismo e mira 2030

Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Guilherme Derrite em evento político.
Guilherme Derrite e Flávio Bolsonaro durante a convenção que formalizou a candidatura de Tarcísio de Freitas - Foto: Heitor Souza/Metrópoles

Governador de São Paulo adota postura cautelosa na campanha de Flávio Bolsonaro, divergindo em temas centrais como segurança pública e urnas eletrônicas.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem buscado gradualmente um distanciamento do núcleo duro do bolsonarismo, ao mesmo tempo em que articula estratégias para consolidar uma candidatura própria em 2030. Embora tenha sido anunciado em fevereiro como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo, o chefe do Executivo estadual tem adotado uma postura ambígua que gera desconforto entre aliados do senador.

Desde o início oficial da campanha, no domingo (16/08), Tarcísio proferiu uma série de declarações que divergem dos pilares defendidos pela família de Jair Bolsonaro (PL). Entre as controvérsias, o governador declarou-se contrário ao encarceramento em massa — pauta central defendida por Flávio, que propõe a adoção do modelo de segurança pública aplicado por Nayib Bukele em El Salvador — e reafirmou sua confiança absoluta na segurança das urnas eletrônicas.

A ausência do governador em agendas estratégicas de Flávio na capital paulista, na quinta-feira (20/08), acentuou as tensões. Enquanto o senador realizava atos na zona leste ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), Tarcísio participava de uma série de sabatinas com veículos de imprensa. Embora tenha prestado um gesto de apoio durante a Festa do Peão de Barretos, no sábado (22/08), chamando o presidenciável de "herdeiro do projeto", o governador tem sido contido em seus elogios fora dos palanques.

Para analistas, a mudança de postura é estratégica. Marco Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que a dinâmica de poder entre os dois mudou. Se em 2022 o atual governador dependia da imagem de Jair Bolsonaro para se eleger, hoje o cenário se inverteu: Flávio necessita do capital político de Tarcísio para alavancar sua candidatura em um estado onde o Republicanos, partido do governador, mantém neutralidade na corrida presidencial.

Além da divergência em pautas ideológicas, como a vacinação e a reforma política, o projeto de Tarcísio para 2030 depende diretamente do sucesso ou insucesso de Flávio em 2026. A insistência do governador no fim da reeleição, inclusive mencionando a necessidade de Flávio cumprir essa promessa, reforça a tese de que o governador paulista já desenha seu futuro político sem as amarras do bolsonarismo tradicional.

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