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Nexus revela: Mais de 36 milhões de idosos influenciam voto
Aumento de 74% desde 2010 consolida Geração 60+ como força decisiva. Dados parciais até 6 de maio de 2026.
Uma análise divulgada, nesta terça-feira, 14, pela Nexus, baseada em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou um crescimento expressivo: o número de eleitores com 60 anos ou mais aumentou 74% desde 2010, alcançando a marca de 36,2 milhões de cidadãos. Esse avanço demográfico, impulsionado pelo envelhecimento da população brasileira, redefine o cenário eleitoral e fortalece a voz de milhões de pessoas que, com sua experiência de vida, podem moldar as futuras disputas políticas do país.
O levantamento da Nexus mostra que o ritmo de crescimento da chamada "Geração 60+" foi cinco vezes superior ao do eleitorado geral no mesmo período, que registrou um aumento de 15%. Com isso, a participação dos eleitores idosos no total subiu de 15,3% para 23,2% entre 2010 e 2026.
Este fenômeno acompanha a transformação demográfica do Brasil. Nas últimas décadas, a parcela da população idosa passou de 7% para 16% do total de brasileiros, refletindo o aumento da expectativa de vida e a contínua redução das taxas de natalidade. A presença crescente desses eleitores nas urnas aponta para a necessidade de os representantes políticos estarem cada vez mais atentos às demandas dessa faixa etária, que incluem questões como saúde, previdência e acessibilidade.
Regiões com Maior Concentração de Eleitores Mais Velhos
A distribuição geográfica do eleitorado 60+ evidencia as disparidades regionais. Os estados das regiões Sul e Sudeste concentram as maiores proporções de idosos aptos a votar.
O Rio Grande do Sul lidera, com 29% de seu eleitorado composto por pessoas com mais de 60 anos, seguido de perto pelo Rio de Janeiro (28%) e Minas Gerais (26%). São Paulo (25%) e Paraná (24%) completam o grupo com a maior presença relativa de votantes experientes. Nesses três maiores colégios eleitorais do país, os eleitores com mais de 60 anos somam aproximadamente 16 milhões de pessoas, um contingente que não pode ser ignorado nas estratégias eleitorais.
No extremo oposto, estados da Região Norte apresentam um perfil demográfico mais jovem. Amapá, Amazonas e Roraima registram 15% de eleitores 60+, enquanto o Acre contabiliza 16%, representando as menores proporções dessa faixa etária no eleitorado. Os dados foram arredondados.
O envelhecimento populacional avança de forma acelerada em algumas unidades federativas. O Rio Grande do Sul teve o maior crescimento proporcional entre 2010 e 2026, com uma alta de 11,2 pontos percentuais na participação do eleitorado idoso. Espírito Santo (+10,2 p.p.), Minas Gerais (+9,8 p.p.) e Rio de Janeiro (+9,5 p.p.) também demonstram um envelhecimento acelerado de seus votantes.
Comportamento Eleitoral: Comparecimento e Abstenção
O estudo da Nexus também detalha o comportamento eleitoral da Geração 60+. Para o grupo de 60 a 69 anos, cujo voto ainda é obrigatório, a taxa de comparecimento supera a média nacional. Em 2022, 85,7% desses eleitores foram às urnas, enquanto a média geral foi de 79,1%.
Este grupo registrou uma das menores taxas de abstenção: 14,3%, significativamente abaixo dos 20,9% da média nacional. Isso demonstra um forte engajamento cívico e o desejo de participar ativamente das escolhas democráticas.
No entanto, entre os eleitores com 70 anos ou mais, para os quais o voto é facultativo, o cenário se inverte. Em 2022, apenas 41,1% compareceram, e 58,9% se abstiveram. Apesar disso, a pesquisa indica uma tendência de aumento gradual na participação dessa faixa etária nas últimas eleições, sugerindo que, mesmo com a opção de não votar, muitos optam por exercer seu direito e dever cívico.
Em números absolutos, o engajamento da Geração 60+ cresceu de forma consistente: 15,3 milhões de votos em 2014, 17,7 milhões em 2018 e 21,6 milhões em 2022, consolidando o poder decisório desse segmento da população.
O Peso Decisivo nas Eleições
Os dados são claros: o envelhecimento do eleitorado influenciará cada vez mais as disputas políticas no Brasil. Em um cenário de eleições acirradas, como a de 2022, decidida por uma margem inferior a 2 milhões de votos, o peso e a preferência desse grupo podem ser, inquestionavelmente, determinantes para o resultado final. Ignorar essa parcela crescente da população significa subestimar uma força política que molda o futuro do país.
Metodologia do Estudo
O estudo da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados – foi elaborado a partir de bases públicas do TSE, com coleta realizada em 1º de março de 2026, utilizando dados do Portal de Dados Abertos do tribunal. A pesquisa analisa três dimensões principais no período de 2010 a 2026: o cadastro eleitoral (número de eleitores aptos), o comparecimento às urnas e a abstenção.
É importante ressaltar que os dados de 2026 são parciais e podem sofrer atualizações até o fechamento do cadastro eleitoral, cujo prazo se estende até 6 de maio de 2026. O levantamento foca na população com 60 anos ou mais, subdividida entre 60 a 69 anos (voto obrigatório) e 70 anos ou mais (voto facultativo), permitindo uma análise aprofundada do impacto da longevidade na democracia brasileira.
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