ELEIÇÕES 2026

Maioria do eleitorado, mulheres tornam-se alvo de acenos de pré-candidatos

Pré-candidatos em campanha eleitoral focam em atrair eleitorado feminino.
Pré-candidatos à Presidência buscam atrair o eleitorado feminino com diversas estratégias.

Com elas como maioria do eleitorado, candidatos intensificam propostas voltadas ao público feminino e buscam diminuir a sub-representação nos espaços de poder.

Com a campanha eleitoral para a Presidência da República a pouco mais de um mês de seu início, pré-candidatos intensificam gestos e propostas direcionados ao eleitorado feminino, que representa a maioria da população apta a votar no Brasil. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mulheres somam 52,5% dos eleitores, superando os 47,33% de homens. Apesar da expressiva representatividade numérica, o público feminino segue sub-representado nos espaços de poder: apenas 18,1% das cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, o que coloca o Brasil na 133ª posição no ranking global de representação feminina, de acordo com a ONU Mulheres. Atualmente, os cinco presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas são homens, com Samara Martins (Unidade Popular - UP) sendo a única mulher na disputa oficial.

A temática do combate à violência contra a mulher ganhou destaque nos discursos públicos. Desde o fim do ano passado, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem incluído o tema em suas falas, impulsionado pelo incômodo da primeira-dama Janja Lula da Silva diante da alta nos casos de feminicídio. Em fevereiro, uma iniciativa conjunta entre o Executivo, Legislativo e Judiciário lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A ação visa integrar os Três Poderes no enfrentamento à violência letal contra as mulheres, promovendo mutirões de prisão de agressores, agilizando a concessão de medidas protetivas, ampliando o uso de tornozeleiras eletrônicas e impulsionando 28 proposições legislativas sobre o tema no Congresso.

A atual gestão aposta que essa abordagem será um diferencial na campanha à reeleição, comparando os resultados obtidos com os do governo anterior. Pesquisas recentes indicam que a avaliação positiva do governo Lula é mais elevada entre mulheres (57,7%) do que entre homens (42,3%), enquanto a desaprovação é menor no público feminino (45,1%) em comparação com o masculino (54,9%). A consolidação do apoio feminino é vista como decisiva para o êxito eleitoral.

No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) também busca maior aproximação com o eleitorado feminino, enfrentando obstáculos. A escolha de uma mulher como vice na chapa presidencial é vista como estratégia para ampliar o desempenho, uma discussão que ganhou força após repercussão de uma crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Declarações de aliados, como a afirmação de que “mulheres votam muito mal”, podem dificultar essa aproximação, embora seis em cada dez brasileiros discordem dessa afirmação. Nomes como Daniella Marques (Republicanos) e Júlia Zanatta (PL-SC) circulam como possíveis candidatas a vice, com a exigência de que a escolhida “tenha voto”. A pré-campanha prepara ainda o lançamento do plano “Brasil Por Elas”, focado em segurança pública, e pretende envolver mais efetivamente Fernanda Bolsonaro na campanha.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) se manifestou em apoio ao projeto de lei que criminaliza a misoginia, equiparando-a ao crime de racismo para torná-la inafiançável e imprescritível, sendo o único pré-candidato da direita a declarar apoio explícito. O senador Renan Santos (Missão) também foca na segurança pública, defendendo legislação mais rigorosa para crimes violentos contra mulheres e prometendo rigor contra estupradores. Um vídeo antigo de 2018, em que ele e outros integrantes do MBL mencionavam “estuprar” uma amiga, foi recontextualizado como “piada de mau gosto” pelo pré-candidato.

Já o pré-candidato Romeu Zema (Novo) ampliou sua atuação junto ao público feminino, anunciando uma nova “frente de mobilização” e focando em propostas como o aumento da pena para feminicídio e a castração química para estupradores. Essas ações ocorrem após Zema ter enfrentado críticas por associar mulheres ao trabalho doméstico e sugerir que a exigência de estudo do Bolsa Família se restringisse aos homens.

Recorde de feminicídios: O primeiro trimestre de 2026 registrou um aumento de 7,55% nos feminicídios em relação ao mesmo período do ano anterior, contabilizando 399 vítimas. Este foi o trimestre mais letal para mulheres nos últimos 11 anos, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2025, o Brasil já havia registrado o maior número de feminicídios da série histórica, com 1.470 assassinatos.

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