ESTRATÉGIA POLÍTICA

Jair Bolsonaro articula candidatura de Michelle ao Senado por Brasília

Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro acenam para apoiadores durante manifestação na Avenida Paulista.
Michelle Bolsonaro ao lado de Jair Bolsonaro durante ato político em São Paulo.

Ex-presidente busca consolidar força no Senado, enquanto a ex-primeira-dama avalia impacto familiar e pessoal após atritos públicos com Flávio Bolsonaro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem intensificado as articulações para que sua esposa, Michelle Bolsonaro, concorra a uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A movimentação estratégica foi reafirmada neste sábado, 11/07/2026, com o objetivo de consolidar aliados de confiança na Casa Alta, garantindo influência sobre pautas fundamentais como indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e processos de impeachment.

Apesar da insistência do marido, Michelle mantém cautela. A ex-primeira-dama tem relatado a interlocutores próximos que aguardará o período de convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026, para decidir sobre o que chama de um "chamado de Deus". A indefinição é agravada pelo delicado estado de saúde de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde novembro de 2025.

O cenário político interno foi tensionado no dia 30 de junho de 2026, quando Michelle deixou a presidência do PL Mulher após um conflito público com o enteado, Flávio Bolsonaro. O desentendimento, que envolveu acusações de humilhação e desrespeito em decorrência de divergências sobre alianças partidárias no Ceará, gerou uma divisão na família e expôs a fragilidade das relações no Partido Liberal.

Além da tensão familiar, Michelle enfrenta preocupações sobre os efeitos de uma campanha eleitoral na rotina do marido. O episódio de novembro de 2025, que resultou na detenção do ex-presidente por violação da tornozeleira eletrônica, ainda é uma lembrança constante. Aliados próximos afirmam que a ex-primeira-dama teme ser responsabilizada por eventuais instabilidades na saúde de Jair Bolsonaro, além de sofrer com ataques pessoais e campanhas de desinformação orquestradas nas redes sociais.

Com a desistência do ex-governador Ibaneis Rocha, o panorama eleitoral no Distrito Federal sofreu alterações. Caso confirme a candidatura, Michelle deverá compor a chapa do Partido Liberal ao lado da deputada federal Bia Kicis, enfrentando nomes como Erika Kokay, Leila Barros e Sebastião Coelho na disputa pelas vagas no Senado.

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