DECISÃO EM JOGO

Eleitores independentes podem definir a eleição de 2026, aponta pesquisa Quaest

Gráfico de pesquisa eleitoral mostrando intenção de voto de eleitores independentes.
Pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho de 2026 analisa o comportamento do eleitorado independente.

Grupo que não se identifica com campos políticos tradicionais demonstra virada de preferência em simulações de segundo turno. Pesquisa Quaest detalha perfil e comportamento.

A pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho de 2026 revela uma movimentação crucial entre os eleitores independentes, um grupo que não se alinha a identidades políticas como lulista, bolsonarista, de esquerda ou de direita. Este segmento, que representa um terço do eleitorado, tem o potencial de decidir o resultado da eleição presidencial. O levantamento aponta que esse eleitorado, antes dividido, agora demonstra uma preferência clara que pode alterar o cenário político.

De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, o grupo de independentes experimentou uma inversão em sua preferência entre maio e junho. Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro neste segmento, estabelecendo uma vantagem de 13 pontos percentuais em simulações de segundo turno. Os independentes, caracterizados por serem menos ideológicos e mais focados em temas como democracia, segurança pública, combate à corrupção e desburocratização, compõem 32% do eleitorado brasileiro, segundo a consultoria.

A pesquisa aponta que os dois principais polos políticos aparecem com força similar. Cerca de 33% dos eleitores se identificam como lulistas (19%) ou de esquerda não lulista (14%), enquanto outros 33% se declaram bolsonaristas (12%) ou de direita não bolsonarista (21%). Nesse contexto, os eleitores independentes se configuram como o fiel da balança para desempatar a disputa.

No primeiro turno, 28% dos eleitores independentes afirmam que votariam em Lula, enquanto 14% preferem Flávio Bolsonaro. Outros candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 6%, Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) com 4% cada. Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) registram 2%, e Joaquim Barbosa (DC) com 1%. Um percentual de 19% se declara indeciso, e 18% indicam intenção de voto em branco ou nulo, ou abstenção.

No cenário de segundo turno, o levantamento de junho indicou uma mudança significativa. A intenção de voto em Lula entre os independentes subiu de 29% para 37%, um aumento de oito pontos percentuais. Em contrapartida, a preferência por Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%, uma redução de sete pontos. Felipe Nunes observa que uma parcela expressiva desses independentes se encontra “desanimada, apática e está se abstendo do processo eleitoral”, com apenas 10% tendendo a votar.

Considerando todos os eleitores, a pesquisa Quaest indica que Lula lidera as intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, com 44% contra 38%, respectivamente. Essa vantagem de seis pontos encerra um período de empate técnico que vigorava desde março. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-07661/2026.

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