Repercussão negativa

Apoio de Allyson ao fim da escala 6x1 é visto como gesto populista diante dos impactos econômicos da medida

Apoio de Allyson ao fim da escala 6x1 é visto como gesto populista diante dos impactos econômicos da medida
Allyson Bezerra se diz favorável ao fim da escala 6x1, mas não fala sobre impactos da iniciativa

Postura do ex-prefeito de Mossoró seria um movimento de forte apelo eleitoral, mas sem considerar os impactos financeiros e operacionais que a mudança pode provocar nos municípios

A defesa do fim da escala 6x1 feita pelo ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, durante entrevista à TCM Notícia, reacendeu o debate sobre os efeitos econômicos da proposta e gerou críticas de setores ligados ao municipalismo e à iniciativa privada.

Para adversários políticos e representantes do setor produtivo, a postura de Allyson seria um movimento de forte apelo eleitoral, mas sem considerar os impactos financeiros e operacionais que a mudança pode provocar nos municípios, nas empresas e no mercado de trabalho formal.

A proposta de redução da jornada de trabalho vem sendo defendida nacionalmente por setores alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por lideranças de esquerda, sob o argumento de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, especialistas alertam que a medida pode elevar custos de operação e gerar efeitos colaterais na economia.

Estudo da Confederação Nacional de Municípios estima que a adoção da medida poderá gerar impacto de até R$ 811 milhões para os municípios do Rio Grande do Norte, além da necessidade de mais de 15 mil novas contratações apenas para manter o funcionamento atual dos serviços públicos.

Na prática, o aumento das despesas trabalhistas pode atingir diretamente áreas essenciais como saúde, educação, limpeza urbana, assistência social e transporte público.

O setor produtivo também demonstra preocupação com os possíveis reflexos da proposta.

Empresários alertam que o aumento dos custos operacionais poderá ser repassado ao consumidor, provocando alta de preços em produtos e serviços. No transporte coletivo, por exemplo, o impacto pode resultar em reajuste no valor das passagens de ônibus.

De acordo com o empresário potiguar Edmilson Pereira, presidente nacional da Febrac, a redução da jornada sem redução salarial implicaria aumento direto dos custos operacionais. Empresas que operam sete dias por semana (como hospitais, escolas, aeroportos e prédios públicos) teriam de ampliar seus quadros para manter a mesma oferta de serviços.

O impacto financeiro tende a ser expressivo: ao manter o salário para menos dias trabalhados, o custo diário do empregado aumenta, exigindo novas contratações para cobrir a escala. Esse acréscimo pode superar 20% em determinados segmentos, pressionando contratos e reajustes de preços ao consumidor.

Outro ponto levantado por críticos da proposta é o risco de redução na oferta de empregos formais. Com o aumento dos custos de contratação e manutenção de funcionários, empresas podem reduzir novas admissões, automatizar serviços ou ampliar vínculos informais de trabalho como forma de compensar despesas.

Para opositores de Allyson, defender uma medida com forte apelo popular sem apresentar estudos sobre viabilidade financeira, compensações econômicas ou impactos sobre o emprego seria uma estratégia de discurso eleitoral voltada mais à popularidade do que à responsabilidade administrativa.

O debate sobre o fim da escala 6x1 tem dividido opiniões em todo o país e deve ganhar ainda mais espaço no cenário político nacional e estadual nos próximos meses.

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