EMBATE POLÍTICO
Álvaro Dias rebate Cadu Xavier que classificou a gestão de Fátima Bezerra como a melhor dos últimos 20 anos no RN
Ex-prefeito rebate fala sobre "melhor governo" no RN e expõe dados fiscais e sociais. Dívida salta 260% e ensino médio é o pior do Brasil, segundo Dias.
Nesta quarta-feira, 8 de maio de 2024, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) rebateu com veemência as declarações de Cadu Xavier (PT), ex-secretário estadual da Fazenda, que havia classificado a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) como a melhor dos últimos 20 anos no Rio Grande do Norte. Álvaro Dias contestou a avaliação, afirmando que ela "desafia os fatos e ignora a realidade vivida pela população", em um embate que projeta a acirrada disputa pelo Governo do Estado, com impactos diretos no futuro dos serviços públicos e na qualidade de vida dos potiguares.
A educação pública potiguar, um pilar fundamental para o futuro de qualquer sociedade, foi um dos focos de Álvaro Dias. Ele destacou o desempenho alarmante do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023, que revelou o Rio Grande do Norte com o pior ensino médio público de todo o Brasil pela segunda vez consecutiva, atingindo a nota 3,2, quase um ponto abaixo da média nacional. "Qual país do mundo celebra o último lugar como conquista? Investiram R$ 400 milhões, anunciaram os Ierns, e o resultado concreto é a lanterna nacional. O melhor governo em 20 anos entrega o pior ensino médio do país?", questionou, apontando para o futuro de milhares de jovens impactados por um ensino deficiente.
Na seara fiscal, que impacta diretamente a capacidade do Estado de oferecer serviços essenciais, o ex-prefeito responsabilizou Cadu Xavier, então chefe da equipe econômica. Ele apontou um crescimento expressivo da dívida pública, que saltou de R$ 1,75 bilhão em 2018 para mais de R$ 6,3 bilhões em 2025, um aumento de mais de 260%. "Cadu Xavier foi o homem que chefiou a equipe econômica do governo — primeiro como secretário de Tributação, depois como secretário da Fazenda. Foi ele quem cuidou do cofre", afirmou. A evolução dos precatórios, de R$ 900 milhões para R$ 5 bilhões, e o déficit previsto de R$ 1,5 bilhão no orçamento de 2026, somados ao fato de o Rio Grande do Norte ser o estado que mais compromete receita com gasto de pessoal no Brasil, desenham um cenário de preocupação para a saúde financeira dos cofres públicos, cujos recursos deveriam ser revertidos em benefícios à população.
A segurança, um direito básico e uma das maiores preocupações da população, também foi alvo de contestação. Álvaro Dias criticou a associação entre a queda nos índices de violência e a gestão estadual. Ele lembrou o colapso de 2017, quando o estado registrou 63 homicídios por 100 mil habitantes, um dos piores índices do mundo, com polícia aquartelada e rebeliões em presídios. "A redução da violência é uma tendência nacional. O país inteiro registrou a menor taxa de mortes violentas desde 2012. Atribuir ao governo do Estado um mérito que é do ciclo nacional, e que partiu de um colapso absoluto que eles mesmos ajudaram a criar com anos de descaso, não é legado. É oportunismo com estatística", sentenciou, enfatizando que a sensação de segurança dos cidadãos não pode ser manipulada por números descontextualizados.
A Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) trouxe dados que ilustram a persistência de um desafio social crucial. "O próprio Ibre, da Fundação Getulio Vargas, mostra que o Rio Grande do Norte é um dos apenas dois estados do Nordeste onde a desigualdade de renda piorou entre 2012 e 2024. A renda cresceu, mas foi concentrada. Não houve distribuição. O discurso de inclusão social não resiste à verificação dos dados", declarou Álvaro Dias, ressaltando o impacto de políticas que não alcançam a todos e aprofundam as disparidades sociais, afetando a dignidade de quem vive à margem.
Sobre o alinhamento com o governo federal, Álvaro Dias questionou o modelo econômico defendido. "Cadu fala como se o alinhamento com Brasília fosse virtude. Mas o governo federal do PT fechou 2025 com déficit de R$ 55 bilhões e a maior dívida pública da história, 78,7% do PIB. É esse o modelo? É a esse governo que o Rio Grande do Norte deve pedir licença para crescer?", provocou. Ele ainda criticou a retenção de mais de R$ 47 milhões em convênios de obras já realizadas pelo município de Natal, além de apontar problemas na gestão estadual que afetam diretamente o cotidiano da população, como o atraso no pagamento de consignados de servidores (mais de R$ 600 milhões devidos), atrasos para médicos e fornecedores, a falta de medicamentos na Unicat e o pagamento tardio do 13º salário dos servidores, colocando aposentados e pensionistas por último na fila.
Ao finalizar, Álvaro Dias reforçou sua crítica ao perfil administrativo do adversário. "Cadu Xavier foi secretário da Fazenda. Cobrou imposto, e cobrou muito. Não construiu uma rua, não urbanizou uma comunidade, não entregou uma praça. O Rio Grande do Norte precisa de quem saiba construir, não apenas de quem saiba cobrar. Nós temos a experiência que o RN precisa. Gestão que faz. Está tudo documentado. Está tudo de pé", concluiu, sugerindo uma visão de governo mais focada em entregas tangíveis para a população.
As declarações de Álvaro Dias surgiram após Cadu Xavier, em entrevista anterior, defender a gestão da governadora Fátima Bezerra, exaltando-a como a melhor do Estado nas últimas duas décadas. Cadu sustentou sua avaliação ao destacar profundas mudanças no cenário administrativo e financeiro. Ele lembrou que, antes de 2019, o Rio Grande do Norte enfrentava atrasos salariais, grave crise na segurança pública e instabilidade institucional. "O Rio Grande do Norte até 2018 era terra de salários atrasados, de polícia aquartelada, de rebeliões em presídios, e hoje a gente vive um momento completamente diferente", afirmou.
O pré-candidato citou a regularização da folha de pagamento e a valorização do funcionalismo como marcos da atual gestão. "O Estado paga o seu servidor em dia, valoriza o servidor", disse. No campo fiscal, destacou a redução do comprometimento da receita com despesas de pessoal, que em dezembro de 2018 era de 63% e hoje está na casa dos 56%, uma queda de mais de 7 pontos percentuais.
Na segurança pública, Cadu Xavier apontou o setor como o principal legado do governo. "Eu tenho convicção de que o maior legado do governo da professora Fátima é a segurança pública", declarou, baseando-se em indicadores. "Natal é hoje a capital mais segura do Nordeste, o Rio Grande do Norte está entre os quatro estados mais seguros do País", afirmou, ressaltando ainda investimentos em efetivo e estrutura, com mais de 5 mil profissionais de segurança pública contratados através de concurso público.
Na saúde, Cadu reconheceu dificuldades, mas sublinhou avanços estruturais. "Hoje, no governo da professora Fátima, nós temos o dobro de leito de UTI que a gente tinha antes", disse, mencionando a ampliação de cirurgias eletivas e melhorias em hospitais regionais.
Sobre a educação, admitiu desafios, especialmente na alfabetização, mas destacou a expansão do ensino integral e investimentos na rede. "Nós temos hoje o triplo de alunos matriculados no ensino integral do que existia antes", afirmou. Ele também citou reformas em mais de 100 escolas, conexão de todas as unidades estaduais e distribuição de mais de 29 mil Chromebooks, como ações que visam transformar a realidade educacional do estado.
Cadu Xavier finalizou reafirmando que sua candidatura está intrinsecamente ligada à continuidade do atual modelo de gestão. "A gente está colocando o nome à disposição com muita firmeza para defender o legado do governo da professora Fátima e apontar um futuro de mais desenvolvimento, geração de emprego e renda para o nosso povo", declarou, sinalizando a polarização da eleição vindoura.
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