EDUCAÇÃO BÁSICA PENDENTE

Quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram o estudo básico, aponta pesquisa

Quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram o estudo básico, revela pesquisa
Pesquisa aponta que quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não terminaram o estudo básico.

Iniciativa reúne 16 organizações para propor melhorias à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e impulsionar a conclusão da formação educacional, essencial para o mercado de trabalho e o desenvolvimento do país.

A decisão de unir 16 organizações da sociedade civil para propor melhorias à Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi tomada nesta terça-feira, 07 de julho de 2026. O objetivo é incentivar a escolarização de milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não concluíram o estudo básico. A iniciativa é crucial para garantir que mais cidadãos possam ter acesso a um futuro com mais oportunidades no mercado de trabalho e contribuir para o desenvolvimento do país.

A realidade de Francisca Laura Silva, que passou 30 anos afastada da sala de aula devido a responsabilidades como doméstica, cuidado familiar e limitações financeiras, espelha a de milhões de brasileiros. Agora, com o incentivo de seus familiares, Francisca decidiu retomar os estudos, sonhando em se tornar médica para cuidar dos doentes. Sua determinação ilustra o potencial transformador da educação na vida das pessoas.

A pesquisa revela um cenário preocupante: quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não completaram o estudo básico. Desse total, mais de 44 milhões não concluíram o ensino fundamental e 19 milhões o ensino médio. Apesar da magnitude desses números, menos de 2% dessa população têm acesso à EJA, evidenciando uma lacuna significativa na oferta e no alcance dessa modalidade de ensino.

Os dados foram compilados por 16 organizações da sociedade civil, incluindo a Fundação Roberto Marinho, a Unesco e o Unicef. O lançamento da rede nesta terça-feira (7) visa propor aprimoramentos ao Plano Nacional de Educação, estabelecendo metas de qualidade para a próxima década. A meta é transformar a EJA em uma ponte sólida para um mercado de trabalho mais qualificado.

“Nós precisamos formar para o trabalho, para que a pessoa tenha emprego, possa ser absorvida. Que o país possa se desenvolver, prosperar. Então, é todo um ciclo que nós temos que observar. Eu acho que já temos várias políticas nesse sentido, mas tem que melhorar muito ainda”, declara Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco - Brasil. A fala ressalta a urgência em alinhar a formação educacional às demandas do mercado, promovendo o crescimento individual e coletivo.

O atraso na conclusão da educação básica gera um impacto econômico considerável para o Brasil. Indivíduos com maior escolaridade tendem a produzir, ganhar e consumir mais, impulsionando o crescimento do país. Segundo o estudo, a conclusão da educação básica por essa parcela da população poderia gerar R$ 66 bilhões de renda extra anualmente, o equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa perspectiva econômica reforça a importância estratégica do investimento em EJA.

“Essa rede é capaz de mostrar para a sociedade brasileira e para o poder público, inclusive, que a educação de jovens e adultos não é um assunto menor quando a gente fala de desafios da educação. Essa é uma agenda que tem uma centralidade para um projeto de país, para o futuro do Brasil”, afirma João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho. A declaração sublinha a relevância da EJA como pilar fundamental para a construção de um futuro mais próspero e equitativo para o Brasil.

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