CRÉDITO FORTE
Sicredi libera R$ 52,8 bilhões e impulsiona safra 2025/26
Crescimento de 16,5% nos primeiros 9 meses da safra, com destaque para alta de 67% em investimentos. Desafios com inadimplência chegam a 3% em março de 2026, mas R$ 6 bilhões em dívidas foram renegociados.
O Sicredi anunciou uma robusta liberação de R$ 52,8 bilhões em crédito rural no Brasil nos primeiros nove meses da safra 2025/26. Este montante representa um crescimento expressivo de 16,5% em comparação com o período anterior, revelando um impulso vital para o agronegócio nacional. A divulgação, realizada durante coletiva na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e reportada nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, destaca o compromisso da cooperativa com o desenvolvimento do campo, oferecendo suporte financeiro essencial para a produtividade e sustentabilidade de milhares de propriedades rurais.
O expressivo aumento concentrou-se principalmente em investimentos, que saltaram de R$ 9,3 bilhões para R$ 15,4 bilhões, uma notável alta de 67%. Este crescimento reflete a confiança dos produtores em modernizar suas operações e investir em tecnologias que impulsionam a eficiência. Enquanto isso, o crédito destinado ao custeio avançou de R$ 19 bilhões para R$ 19,5 bilhões no mesmo período, garantindo recursos para as atividades diárias do campo.
As operações de comercialização também demonstraram dinamismo, expandindo 42% e alcançando R$ 1,3 bilhão em 2025. A industrialização, por sua vez, registrou um avanço de 27% na comparação interanual, atingindo R$ 124,5 milhões. O crédito em moeda estrangeira apresentou o maior salto, crescendo 70% de R$ 2,5 bilhões para R$ 4,2 bilhões, uma alternativa crescente para a gestão de custos.
Na safra 2025/26, a alocação do crédito evidenciou um apoio abrangente: R$ 15,3 bilhões, ou 29% do total, foram direcionados a produtores diversos; R$ 11,4 bilhões, 22%, para o Pronamp (Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte); e R$ 9,5 bilhões, 18%, para o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Essa distribuição estratégica garante que desde pequenos agricultores até grandes empreendimentos tenham acesso a recursos vitais.
No entanto, a CPR (Cédula de Produto Rural) registrou uma redução de 23%, chegando a R$ 12,3 bilhões. Victor Hugo de Moraes, superintendente de negócios da Confederação Sicredi, esclareceu a situação: "É uma concorrência em relação à taxa. A CPR traz benefícios, mas é uma taxa livre de mercado, e muitos produtores que têm a safra atrelada ao dólar têm preferido a moeda estrangeira”, afirmou na coletiva. Esta mudança revela a adaptabilidade dos agricultores na busca por condições mais vantajosas.
Segundo o executivo, a crescente procura por instrumentos financeiros complementares decorre da necessidade dos produtores de gerir custos com eficácia e de se protegerem contra as oscilações de preço no mercado. Essa inteligência financeira é crucial para a estabilidade do setor.
Os consórcios agropecuários, que detêm uma carteira superior a R$ 61,8 bilhões, registraram vendas que totalizaram R$ 3 bilhões, em um avanço de 23% e reforçando essa busca por alternativas de investimento.
Contudo, a inadimplência na carteira agropecuária do Sicredi, que há dois anos era de 0,9%, alcançou 3% em março de 2026. A cooperativa de crédito esclarece que a maior concentração está em grandes produtores, principalmente por trocas de maquinários e equipamentos. Esse cenário levanta um alerta sobre a gestão de riscos no campo, exigindo atenção e planejamento por parte dos empreendedores.
Em uma ação de alívio importante, o Sicredi renegociou quase R$ 6 bilhões em dívidas, sendo R$ 2 bilhões em linhas controladas pelo BNDES. Esta medida foi viabilizada pela Medida Provisória 1314, finalizada no primeiro trimestre do ano, demonstrando um suporte proativo da instituição para mitigar desafios financeiros de seus cooperados.
A proteção também se estendeu ao seguro rural, com 113 mil apólices registradas em 2025. Desse total, R$ 58 bilhões foram destinados a benfeitorias e máquinas, enquanto R$ 2,4 bilhões cobriram o seguro agrícola, protegendo 479 mil hectares. As indenizações somaram R$ 173 milhões, um aumento de 30% no valor financeiro em relação ao ano anterior, reforçando a segurança e resiliência dos produtores diante das intempéries.
Embora a instituição não tenha divulgado uma orientação para o próximo Plano Safra, o Sicredi prevê que, mesmo com a tendência de redução das taxas de juros, o cenário permanecerá com juros elevados. Esta expectativa deve direcionar os produtores à busca por produtos de proteção, derivativos e seguros, fortalecendo a gestão estratégica de riscos no setor.
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