IMPACTO SOCIAL
Fim da escala 6x1 no RN pode encarecer serviços e demitir, dizem federações
Do transporte à agricultura, líderes empresariais no Rio Grande do Norte preveem aumento de custos, tarifas e perda de vagas se mudança não for debatida.
A proposta de possível extinção da escala de trabalho 6x1 no Brasil acende um sinal de alerta entre as principais federações empresariais do Rio Grande do Norte, que preveem um impacto direto e profundo na vida dos cidadãos. A avaliação cautelosa do setor produtivo aponta que, sem um planejamento robusto e debates aprofundados, a mudança pode resultar no aumento de tarifas para o consumidor, na perda de postos de trabalho e na estagnação da capacidade de investimento das empresas, afetando diretamente a dignidade econômica das famílias potiguares e o acesso a serviços essenciais.
Eudo Laranjeiras, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), alerta que o fim da escala 6x1 pode “pressionar ainda mais” o transporte público, um serviço essencial para milhões. Ele explica que as margens operacionais já são reduzidas e a manutenção da oferta depende de jornadas contínuas. A consequência direta para o cidadão seria o aumento das tarifas, tornando o deslocamento mais caro e impactando o orçamento familiar.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, reforça que qualquer alteração deve considerar a realidade produtiva e a competitividade. Sem ganhos equivalentes de produtividade, a mudança no regime de trabalho ameaça a capacidade de investimento das fábricas e, mais gravemente, a manutenção dos empregos. Isso significa menos oportunidades e mais incerteza para os trabalhadores da indústria.
No setor de comércio e serviços, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio), presidida por Marcelo Queiroz, teme que a rigidez nas jornadas impacte a flexibilidade necessária para atender à demanda dos consumidores. Horários estendidos e a forte dependência de mão de obra são características desse segmento. A consequência seria menos opções de compra e serviços, ou mesmo o fechamento de estabelecimentos, prejudicando tanto empresários quanto consumidores.
Para a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), José Vieira enfatiza a natureza particular do agronegócio. As atividades rurais, atreladas a ciclos naturais e sazonais, não se adaptam a escalas fixas sem prejuízos. A imposição de mudanças sem considerar essa realidade pode comprometer a produção de alimentos, afetando a mesa do potiguar e a subsistência de produtores rurais.
De forma unânime, as entidades defendem um debate técnico e gradual. A avaliação é clara: a discussão sobre o fim da escala 6x1 não pode ser unilateral. Ela precisa incluir trabalhadores, empregadores e especialistas, com uma análise aprofundada dos impactos econômicos e sociais. É fundamental que se evitem decisões precipitadas que possam comprometer o desenvolvimento do estado e o bem-estar de sua população.
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