Sem recursos, Fátima só depende de Bolsonaro para viabilizar obras estruturantes no RN

Em entrevista ao portal Agora RN, a governadora Fátima Bezerra reconheceu a indisponibilidade de recursos suficientes para tocar obras importantes para o RN. Diante da quebradeira fiscal do estado, a gestora depende exclusivamente do Governo Federal para iniciar, continuar e finalizar obras estruturantes. Sua esperança é que o presidente jair Bolsonaro possa ajudar o RN.
AGORA RN – O que a senhora espera da visita do presidente Jair Bolsonaro ao Nordeste (e especificamente ao RN nesta próxima semana) em plena pandemia?
FB – Eu espero que ele possa trazer benefícios importantes para o Estado, como garantir a chegada das águas do rio São Francisco, a construção do canal Apodi-Mossoró, a viabilização do projeto Seridó. Os governos Lula e Dilma deixaram o projeto de transposição 94% concluído e nós ainda estamos aguardando a finalização da obra. Especialmente no Rio Grande do Norte, precisamos assegurar a construção do canal porque, sem ele, a população de toda a região Oeste ficará desassistida – e isso nós não podemos aceitar. Outra questão é o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Semana passada nós tivemos uma reunião com o ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, e eles nos garantiu que será dada a solução da operacionalização da estrutura, já que a empresa concessionária comunicou que não pretende continuar no local. Também precisamos cobrar a conclusão das obras do PAC, como a da reta Tabajara, viadutos e a duplicação da BR-304.
AGORA RN – A senhora falou em obras de infraestrutura hídrica. Como está a questão de Oiticica? O governo vai devolver os 19 milhões solicitados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional?
FB – Eu quero primeiro deixar claro, como o próprio ofício do ministro enfatiza, que não há absolutamente nenhum tipo de irregularidade por parte do governo com relação aos recursos de Oiticica. O que ocorreu foi que a própria Justiça determinou a retirada dos valores da conta convênio sob a justificativa de bloqueios judiciais. Nosso governo, tão logo constatou a movimentação na conta, impetrou ação de reclamação junto ao STF e conseguiu sanar o problema. Os bloqueios foram cessados e esses recursos, conforme consta no convênio, devem ser repostos até o final da obra. A Barragem de Oiticica é uma grande prioridade para nós. Desde que assumimos o Governo tivemos que corrigir muitos problemas que encontramos e um deles foi a obra social, que estava travada. Tivemos que fazer o distrato com o acompanhamento do MP e a participação do movimento de atingidos pela barragem e está aí, a obra, de vento em popa. Estamos atentos e empenhados para que a obra seja concluída no tempo previsto.
Agora RN– A senhora espera reaver os R$ 5 milhões que o Governo do RN antecipou para a compra dos respiradores junto ao Consórcio Nordeste?
FB – Se tem uma coisa que nosso governo se orgulha é de ser transparente em tudo o que faz. Esse foi mais um entre os processos, cuja documentação foi entregue em sua completude para análise dos órgãos de controle. Antes mesmo que nos pedissem. Foi revoltante o que aconteceu. Quando decidimos adquirir esses respiradores, estávamos numa situação de muita dificuldade porque havia uma completa escassez desses equipamentos no mercado mundial e as pessoas estavam morrendo porque um instrumento imprescindível para mantê-las vivas estava em falta. Não titubeamos em adquiri-los quando vimos aquela porta se abrir. Apelávamos por respiradores ao Governo Federal havia mais de um mês mas, até aquela data, nenhum sinal. Diante do calote constatado, ingressamos com todas as medidas judiciais cabíveis para que os recursos investidos retornem aos cofres do Estado. Infelizmente essa não é uma realidade somente do Rio Grande do Norte ou do Nordeste, é uma realidade para além do Brasil.
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