CONTA DE LUZ MAIS ALTA
ANEEL eleva tarifa de energia em 5,40% para 274 mil pequenos negócios no RN
Aumento autorizado pela agência reguladora pressiona empreendedores potiguares. Especialistas apontam abertura do mercado livre de energia como saída.
O setor empresarial do Rio Grande do Norte enfrenta um novo desafio financeiro com o reajuste de 5,40% nas tarifas de energia elétrica, autorizado pela Agência Nacional de Elétrica (ANEEL) e em vigor desde maio. A decisão impacta diretamente 274.717 pequenas empresas ativas no estado, que respondem por mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) potiguar e pela vasta maioria dos empregos formais. O aumento, que varia conforme o perfil do consumidor, representa um peso adicional na operação de negócios de pequeno e médio porte, que não se beneficiam de tarifas sociais.
Renata Feijó, fundadora da Liora Energia, expressa preocupação com a situação. "O consumidor é muito refém desse custo. Ano contra ano, a gente vê aumentos expressivos na conta de luz, e isso pesa na economia, na qualidade de vida e nas empresas", afirma. Ela destaca que a Neoenergia Cosern, responsável pelo fornecimento no estado, atende 1,6 milhão de clientes em 167 municípios. O reajuste deste ano contrasta com uma queda de 0,32% registrada em 2025 e é atribuído pela ANEEL a custos de transmissão, compra de energia e encargos setoriais.
O percentual médio de 5,40% se desdobra em diferentes taxas para cada categoria: 10,90% para indústrias e comércios de médio e grande porte; 3,74% para pequenos comércios e prestadores de serviços; e o mesmo percentual para residências fora da tarifa social. Esse cenário pressiona negócios essenciais como padarias, pet shops e clínicas, que absorvem o impacto integralmente. O Sebrae-RN aponta que 206,7 mil dessas pequenas empresas operam sob o regime do Simples Nacional.
Em meio a esse cenário, a Medida Provisória 1.300/2025 surge como um horizonte de mudança. A partir de 1º de agosto de 2026, a abertura do mercado livre de energia contemplará pequenos comércios, prestadores de serviço e indústrias. "Para o empreendedor potiguar, é a primeira oportunidade real de escolher de quem comprar energia. Sempre que existe mais competição e um olhar atento para o cliente, a dinâmica do mercado melhora", avalia Renata Feijó. Ela defende modelos como a geração distribuída e o crédito para financiamento de outros benefícios como alternativas viáveis.
A janela entre o reajuste tarifário e a abertura do mercado livre é um período de incerteza para os pequenos negócios. Enquanto isso, a energia solar segue como principal alternativa para quem busca mitigar os custos da conta de luz tradicional. Em 2025, o Rio Grande do Norte registrou mais de 33 mil sistemas de energia solar pequenos instalados, um crescimento de 91% em dois anos, segundo a Associação Potiguar de Energia Renovável (APER). A iniciativa demonstra a busca por autonomia energética e pela redução da vulnerabilidade a flutuações tarifárias.
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