Negociação de ativos da Petrobras no RN pode demorar de seis meses a um ano

FOTO: ILUSTRAÇÃO

Quatorze meses após garantir a políticos potiguares a permanência da exploração de ativos no Rio Grande do Norte, a Petrobras colocou à venda tudo o que se relaciona à produção de petróleo e gás natural no Estado. Restou apenas o projeto do Campo de Pitu, em alto-mar, que ainda está em fase de estudo de viabilidade de exploração. O processo de venda dos 26 ativos anunciado no início desta semana vai levar de seis meses a um ano, segundo o diretor de Relacionamento Institucional da estatal, Roberto Ardenghy, em entrevista exclusiva à TRIBUNA DO NORTE. De acordo com o Governo do Estado, que se posicionou contra o anúncio da petroleira, a saída do estatal coloca em risco cerca de 5,6 mil empregos diretos e indiretos, além da arrecadação de impostos.

A concessão dos ativos no Rio Grande do Norte é continuidade do plano de desinvestimento, iniciado em 2012, da Petrobras em campos terrestres e águas rasas, característica de todos os campos de produção da Bacia Potiguar.  Desde então, a empresa foca os recursos na exploração e produção de petróleo em águas profundas. “Estamos focando nossos investimentos em águas profundas, que é a maior expertise da estatal, e vendendo ativos para abater uma dívida bilionária que aumenta os juros pagos pela Petrobras”, afirmou Ardenghy.

Segundo o teaser divulgado pela Petrobras, as propostas dos interessados nos campos – que serão vendidos em bloco único – devem ser entregues até o dia 10 de setembro. Entretanto, o processo inteiro de venda deve levar de seis meses a um ano. “Esse é um processo que demora de seis meses a um ano, dependendo da caraterística que o processo anda. A gente espera que em meados do ano que vem, a gente já possa ter formalizado o comprador para que ele já possa entrar o ativo”, confirmou o diretor.

A produção do petróleo nos campos do Rio Grande do Norte atualmente é de 23 mil barris por dia, menos da metade do que apenas um poço de pré-sal produz (50 mil por dia). Segundo Ardenghy, o volume de petróleo produzido em campos terrestres não é mais vantajoso por 'estratégia da empresa' e pode ser alavancada se for vendida para empreiteiras de menor porte, com reflexos na geração de emprego e royalties.

Investimentos em queda

Em seis anos, entre 2012 e 2018, os investimentos da companhia no RN diminuíram R$ 931 milhões e 6,9 mil postos de trabalho foram cortados. Além disso, 46 de 70 concessões da Bacia Potiguar já foram vendidas pela estatal. Com o novo anúncio de vendas, a Petrobras encerra um ciclo de desinvestimento no Rio Grande do Norte. As vendas já realizadas, de ativos de menor portes, renderam R$ 2,1 bilhões à Petrobras.

Governo ressalta danos à economia

Segundo o Governo do RN, a venda dos 26 ativos, incluindo a Refinaria Clara Camarão, põe em risco 5,6 mil empregos diretos. São 1,4 mil efetivos e 4,2 mil terceirizados. A estatal representa 52% do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria do Rio Grande do Norte. “Estamos falando de uma empresa que é o maior ativo do ponto de vista de promoção do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte", declarou a governadora Fátima Bezerra (PT).

Por outro lado, a Petrobras defende que a venda dos ativos não significa a saída  do RN. Ardenghy informou que a estatal permanece com o estudo de campos em alto-mar  principal interesse da estatal hoje – nos blocos exploratórios de Pitu, que podem gerar novos investimentos no futuro. Esses campos devem levar de cinco a seis anos para serem explorados, se for encontrado petróleo. “A Petrobras continua procurando em campo marítimo, mas de fato esses ambientes terrestres de menor tamanho não fazem mais sentido no portfólio da empresa. Continuamos interessados no Nordeste e no Rio Grande do Norte, mas com outro tipo de projeto”, declarou Roberto Ardenghy.

Mesmo com a garantia de permanecer no Rio Grande do Norte, um dos ativos à venda é a Refinaria Clara Camarão, que produz gasolina, querosene de aviação e gás. Segundo Ardenghy, a venda da refinaria teve o objetivo de deixar a proposta “mais atrativa” e que não valeria a pena mantê-la inativa, já que os campos em estudo ainda devem levar anos antes de terem operações.

Com informações da Tribuna do Norte/ Ricardo Araújo - Repórter

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