Estimativas

Marcelo Queiroz alerta que fim da escala 6×1 pode provocar desemprego e fechar empresas no RN

Marcelo Queiroz alerta que fim da escala 6×1 pode provocar desemprego e fechar empresas no RN
Com base em pesquisa, Marcelo Queiroz faz estimativa sobre fim da escala 6x1

As estimativas apontam que a mudança poderá gerar um custo adicional anual de R$ 3 bilhões para as empresas potiguares

A proposta de extinção da escala 6×1 e redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas poderá provocar forte impacto na economia do Rio Grande do Norte, com risco de fechamento de empresas, aumento de preços e eliminação de empregos formais, segundo estudo divulgado pelo Instituto Fecomércio RN e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As estimativas apontam que a mudança poderá gerar um custo adicional anual de R$ 3 bilhões para as empresas potiguares e provocar a eliminação de cerca de 7.800 postos formais de trabalho no curto e médio prazo. O levantamento também projeta aumento de preços de até 13%, afetando diretamente o custo de vida da população.

O estudo foi apresentado em meio à tramitação, no Congresso Nacional, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras da jornada de trabalho no Brasil e amplia o debate sobre os impactos econômicos e sociais da medida.

Além das projeções econômicas, o Instituto Fecomércio RN realizou pesquisa com 1.305 trabalhadores formais nos principais municípios do Estado. Embora a proposta registre apoio inicial relevante, a maioria dos entrevistados afirma desconhecer os efeitos práticos da mudança.
Segundo o levantamento, mais de 89% dos trabalhadores já ouviram falar da proposta, mas apenas 8,7% afirmam compreender efetivamente suas consequências.

Os entrevistados também apontaram possíveis riscos associados à redução da jornada, como aumento da rotatividade de mão de obra (71,1%), crescimento da informalidade (65%), acúmulo de funções (63,5%) e redução dos empregos formais (60,2%).

Outro dado destacado pela pesquisa é a mudança de percepção após a apresentação dos impactos econômicos estimados. O apoio à proposta caiu de 75% para 55,6% quando os trabalhadores foram informados sobre possíveis consequências da medida. Redução salarial, citada por 44,8% dos participantes, e aumento do desemprego, apontado por 37,8%, aparecem entre os principais fatores para a mudança de posicionamento.

Em nível nacional, as estimativas da CNC apontam custo adicional de R$ 357,4 bilhões anuais para os setores de comércio e serviços, além da possibilidade de eliminação de até 631 mil empregos formais em todo o País.

Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, a discussão precisa considerar os impactos sobre a atividade econômica e a preservação dos empregos.

“O comércio de bens, serviços e turismo é extremamente heterogêneo, envolvendo desde micro e pequenas empresas até grandes redes, além de atividades com forte sazonalidade, como o turismo e a hospitalidade. Uma legislação impositiva e uniforme pode gerar efeitos adversos, como fechamento de estabelecimentos, demissões e aumento de preços ao consumidor, conforme nossos estudos projetam. Qualquer mudança neste sentido deve ocorrer por meio da negociação coletiva, respeitando a diversidade, as especificidades regionais e as diferentes realidades econômicas do setor”, afirmou Marcelo Queiroz.

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