ISI-ER inicia implantação de centro de referência para impulsionar medições offshore e “Economia Azul”

O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) deu largada à implantação de um centro de referência no Brasil para impulsionar pesquisas, investimentos e a segurança em atividades ligadas ao mar, incluindo a futura geração de energia offshore, a pesca, o transporte e a área de defesa, entre outras, que compõem a chamada “Economia Azul”.
O Centro de Referência em Monitoramento Meteoceanográfico (CRMetOcean) terá atuação nacional e a base de operações no litoral do Rio Grande do Norte. O primeiro equipamento a entrar em funcionamento, um LiDAR de Varredura que possibilita ganhos como medições de velocidade e direção de ventos a até 2km de altura – cerca de sete vezes superior ao alcançado hoje com os LiDARs verticais – foi instalado quinta-feira (26) no Porto-Ilha de Areia Branca, onde o ISI-ER estuda o recurso eólico há pelo menos três anos.
O equipamento integra a Plataforma de Coleta de Dados Meteoceanográficos (PCDMet) do Centro e está posicionado em ambiente offshore, a 15 km da costa. A perspectiva é que, após uma etapa inicial de testes, as medições comecem oficialmente até o final de março, com aplicação imediata dos dados em pesquisas do ISI e perspectivas de projetos de cooperação com o setor produtivo, a academia e o setor público.
“Este é um projeto pioneiro para o ambiente marítimo do Brasil. Um centro que pretende trabalhar com a geração de vários e vários dados para auxiliar a tomada de decisão de novas atividades, como a energia eólica offshore, e também para o fortalecimento de outras atividades que já existem no meio, aumentando a previsibilidade, a segurança e as perspectivas de crescimento”, observa o diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello.
Nacionalmente, segundo ele, há escassez de dados medidos com essa perspectiva. “E o que a gente pretende fazer é contribuir com a disponibilidade de dados primários – e de dados com muita precisão – para a tomada de decisão mais assertiva possível na área. Quanto menor a incerteza dos dados, melhor a tomada de decisão. E, no Brasil, há que se evoluir muito ainda na qualidade e na disponibilidade de dados primários em toda a área de oceano”, acrescentou, reforçando: “O Brasil tem uma fronteira molhada gigantesca. São 8 mil km e é fundamental que também existam dados medidos, e não apenas dados de modelagem, dados secundários, dados estimados”.
Expansão
O lançamento do CRMetOcean marca a expansão de trabalhos de pesquisa que o SENAI-RN desenvolve em ambiente marinho, iniciados há quase 15 anos pelo Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) e, desde 2021, concentrados no ISI-ER.
“Esse trabalho agora se amplia em muitas frentes”, diz Mello. “Estamos embarcando novas tecnologias, ampliando a precisão de dados, a distância que esses dados são medidos, o tipo de dado medido, incorporando, por exemplo, correntes marinhas, que também entram no nosso foco. Então, é um fortalecimento e crescimento de algo que já existe, mas que agora será muito maior e mais preciso”, detalha o diretor.
Desenvolvimento
Primeira frente do Centro a entrar em operação, a PCDMet do ISI deverá constituir um acervo único de dados para a Margem Equatorial Brasileira, mas não só isso, diz o pesquisador líder de projetos na área de Economia do Mar do Instituto, Carlos Moura.
“Além de subsidiar o desenvolvimento e a implantação da planta-piloto offshore do SENAI – a ser instalada a 4,5 km do Porto-Ilha – os dados possibilitarão a ampliação e o aprimoramento de pesquisas sobre o ambiente meteoceanográfico na região, ou seja, sobre como o oceano afeta os ventos e outras condições atmosféricas e vice-versa, incluindo correntes e altura de ondas, por exemplo”, explica ele.
“Com essa iniciativa, nós estamos aprimorando a condição de medição de vento no Brasil. Vamos poder conhecer melhor a região, além de melhorar os modelos digitais que usamos para estudar vento e oceano”, disse o pesquisador, explicando que equipamentos e modelos disponíveis hoje medem essas variáveis separadamente. “São modelos digitais para vento, modelos digitais para correntes e ondas… e o que estamos fazendo agora é colocar isso com uma visão holística integrada, porque sabemos que esses fenômenos se retroalimentam”, disse Moura
“Pensando no longo prazo”, complementou ainda o pesqusiador, “conhecer o ambiente e fazer isso com maior precisão é condição fundamental para o desenvolvimento da economia da energia offshore”.
A perspectiva é que as informações obtidas com esse trabalho sejam, futuramente, disponibilizadas ao público. O equipamento instalado na semana passada é o primeiro de uma série prevista na PCDMet, entre sensores atmosféricos e oceanográficos de última geração. A infraestrutura da Plataforma receberá investimento total de R$ 14,9 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Desse total, 3,3 milhões foram aplicados no LiDAR de Varredura.
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