FIM DA JORNADA 6X1
Indústria prevê queda de produtividade e competitividade com fim da escala 6x1
Pesquisa da CNI aponta que 70% das indústrias temem perda de competitividade e 68% preveem queda na produtividade com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira, 02/07/2026, uma pesquisa revelando que 70% das indústrias brasileiras antecipam uma queda em sua competitividade caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 seja aprovada pelo Congresso Nacional. Adicionalmente, 68% das empresas estimam um declínio na produtividade.
A matéria legislativa, que altera a Constituição Federal, exige votação em dois turnos, com a aprovação mínima de três quintos dos senadores, correspondendo a 49 dos 81 parlamentares. O texto já aprovado na Câmara dos Deputados inclui o fim da escala 6x1 em favor da 5x2, com um período de transição de dois meses. Prevê também a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas em dois meses, e de 42 para 40 horas em 12 meses.
A CNI também apurou que 85% das empresas utilizam a jornada semanal de 44 horas e que 97% serão afetadas pela redução legal. Projeções indicam que 85% esperam um aumento nos custos com empregados e 82% com fornecedores. Um total de 73% dos entrevistados rejeita a redução da jornada.
A pesquisa, realizada entre os dias 2 e 11 de março, ouviu 1.664 empresas de pequeno, médio e grande porte. O presidente da CNI, Ricardo Alban, expressou preocupação com a competitividade nacional em audiência no Senado, defendendo medidas que fortaleçam o mercado interno. Ele alertou que a perda de competitividade pode colocar o Brasil em desvantagem global.
Em reunião nesta quarta-feira (1º), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discutiu com centrais sindicais a possibilidade de antecipar a validade da redução da jornada e do fim da escala 6x1 para logo após a promulgação do texto, eliminando o período de transição previsto na proposta da Câmara.
Por outro lado, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, defendeu a aprovação da PEC em sessão de debates no Senado, na quarta-feira (1º). Segundo ele, a proposta pode impulsionar novos negócios e gerar mais renda para as famílias, visto que muitos empreendedores trabalham em tempo parcial e se beneficiariam do tempo livre adicional para desenvolver atividades e se qualificar.
A proposta determina que a duração do trabalho normal não exceda oito horas diárias e 40 horas semanais, permitindo compensações de horários e reduções via acordo ou convenção coletiva. A redução de jornada se dará em etapas: duas horas em até dois meses após a promulgação e mais duas horas em até 12 meses.
O fim da escala 6x1, com garantia de pelo menos duas folgas semanais, predominantemente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação. O período de transição foi um ponto de negociação, com empresários buscando tempo para adaptação. O governo, inicialmente contrário à transição, aceitou uma implantação gradual.
A relatoria da proposta na Câmara definiu que, 60 dias após a promulgação, acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas jornadas perderão a validade automaticamente, incentivando negociações entre sindicatos e empresas.
Profissionais com nível superior e remuneração superior a duas vezes e meia o teto do INSS (cerca de R$ 21,1 mil) ficarão fora das novas regras de jornada e controle de ponto. A medida visa combater a "pejotização" e garantir liberdade a profissionais de alta renda.
Economistas ressaltam a necessidade de que o debate no governo e no Congresso seja acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade, especialmente através da qualificação de trabalhadores, inovação e investimentos em infraestrutura e logística.
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