ALERTA NACIONAL

Dois em cada três brasileiros estão endividados, diz Datafolha

Pessoa com cartões de crédito e moedas representando Endividamento no Brasil.
Ilustração de uma pessoa com cartões de crédito e moedas, simbolizando as dívidas financeiras.

Levantamento de 18 de abril de 2026 expõe que 21% dos cidadãos estão com pagamentos em atraso; cartão de crédito lidera entre as modalidades mais usadas.

A esmagadora maioria dos brasileiros, dois em cada três, ou seja, 67% dos entrevistados, carrega o peso de dívidas financeiras, como empréstimos. Essa realidade alarmante foi revelada pela pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, 18 de abril de 2026, expondo o profundo impacto na vida de milhões de famílias e a urgência de uma gestão financeira mais consciente no país.

O levantamento aponta uma fragilidade ainda maior: 21% dos brasileiros estão com dívidas em atraso, o que representa aproximadamente um em cada cinco cidadãos. Para aqueles que buscaram ajuda financeira com amigos ou familiares, a situação é ainda mais crítica, com 41% admitindo não ter conseguido quitar esses valores devidos, gerando tensões e desgastes nas relações pessoais.

Entre as modalidades de endividamento, o cartão de crédito parcelado lidera, sendo citado por 29% dos participantes. Em seguida, surgem os empréstimos bancários, com 26%, e os tradicionais carnês de lojas, apontados por 25% dos endividados, que representam a busca por bens de consumo imediato que muitas vezes se tornam fardos a longo prazo.

A pesquisa também lança luz sobre o uso do crédito rotativo do cartão de crédito, que é utilizado por 27% dos participantes em alguma frequência. Este mecanismo é acionado quando o consumidor efetua o pagamento mínimo da fatura, adiando o restante da quitação com a aplicação de juros exorbitantes, transformando uma solução momentânea em um ciclo de dificuldades.

Reconhecido como a modalidade mais onerosa do mercado, o crédito rotativo do cartão de crédito possui uma taxa média de juros de 14,9% ao mês, conforme dados do Banco Central do Brasil. Apesar do custo assustador, desde 2024, uma nova regra impôs um teto: o valor total da dívida acumulada não pode ultrapassar o dobro do montante originalmente devido, um alívio parcial para quem se vê preso nessa espiral.

Dentro do grupo que utiliza o rotativo, 5% afirmam recorrer a ele com frequência elevada, um sinal de descontrole financeiro persistente, enquanto 22% o utilizam ocasionalmente ou raramente, mostrando que a ferramenta, mesmo pontual, ainda é uma realidade para muitos.

O Datafolha conduziu as entrevistas com 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 117 municípios do Brasil, nos dias 8 e 9 de abril. A metodologia garante uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%, conferindo robustez aos resultados.

Além dos números sobre dívidas, o levantamento aprofundou-se na percepção dos entrevistados sobre hábitos financeiros. De acordo com os dados, impressionantes 68% concordam que as ofertas de crédito recebidas por celular ou internet contribuem significativamente para o endividamento por impulso, evidenciando o perigo da facilidade e da publicidade invasiva.

Adicionalmente, mais da metade dos participantes, 51%, declarou concordar plenamente com a afirmação de que é cada vez mais desafiador manter as contas em dia sem depender do uso constante do cartão de crédito, o que reflete uma dependência crescente e uma sensação de aprisionamento financeiro na sociedade contemporânea.

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