ALERTA ECONÔMICO

Dívida pública brasileira atinge maior patamar em quase 5 anos

Gráfico mostrando o aumento da Dívida Pública brasileira.
Dívida Pública brasileira atinge maior patamar em quase 5 anos

Endividamento alcançou 80,4% do PIB em abril, equivalente a mais de R$ 10 trilhões. Especialistas alertam para impacto no crescimento e na infraestrutura do país.

A Dívida Pública brasileira atingiu, em abril de 2026, o maior patamar em quase cinco anos. O endividamento subiu para 80,4% em relação ao PIB, o que representa mais de R$ 10 trilhões. Este é o nível mais alto desde junho de 2021, quando a dívida estava em 80,6% do PIB, evidenciando um avanço de nove pontos percentuais nos últimos três anos e meio.

O tamanho da Dívida Pública é um indicador crucial da saúde econômica e fiscal de um país. Quando as despesas superam as receitas, o governo necessita se endividar para cobrir suas obrigações. Um endividamento elevado implica em maiores gastos com juros, o que pode restringir investimentos essenciais. O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, ressaltou o impacto direto do endividamento público no crescimento econômico. Segundo ele, a alta taxa de juros no Brasil está, em parte, associada ao elevado endividamento do setor público. Essa situação, por sua vez, impede o governo de realizar investimentos necessários em infraestrutura e segurança pública, prejudicando o desenvolvimento do país.

Em abril, as contas públicas registraram um superávit de R$ 24 bilhões, considerando o desempenho do governo federal, empresas estatais, estados e municípios. No entanto, ao incluir o pagamento de juros da dívida, o resultado foi um rombo de R$ 60 bilhões. As empresas estatais federais apresentaram um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em abril, e quase R$ 6 bilhões no acumulado do ano, o pior resultado para o período desde 2002.

Para conter a sequência de déficits, o controle efetivo dos gastos é fundamental. O professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco, Écio Costa, avalia que o arcabouço fiscal, em vigor desde 2024, não tem sido suficiente para frear o aumento da dívida. Ele aponta a falta de um compromisso claro com a estabilização ou redução da dívida. A solução, segundo o especialista, reside na adoção de medidas governamentais para controlar os gastos, de modo a gerar superávit primário anual. Isso permitiria a estabilização da trajetória da dívida, com potencial de queda futura caso as taxas de juros diminuam.

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