RECOMEÇO

Desenrola 2.0 é lançado para milhões de brasileiros endividados; Serasa aponta 82,8 milhões afetados em março

Governo federal anuncia Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas
O Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal, busca oferecer novas oportunidades para milhões de brasileiros endividados reorganizarem suas finanças.

Programa do governo federal chega para oferecer alívio a quase metade da população, permitindo descontos de até 90%, juros de 1,99% e uso do FGTS para quitar débitos de até R$ 15 mil. Bancos ajustam sistemas para adesão.

Com o objetivo de aliviar o pesado fardo financeiro que aflige milhões de famílias brasileiras, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, um programa que visa renegociar dívidas bancárias e reduzir a inadimplência. A medida surge em um contexto de urgência, conforme revelado pela Serasa Experian nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, que apontou 82,8 milhões de brasileiros endividados em março, quase metade da população adulta.

Os dados da empresa de proteção ao crédito são alarmantes: em março, os débitos somaram R$ 557,7 bilhões no país. Deste montante, expressivos 47% concentram-se em instituições financeiras, foco principal do Desenrola 2.0. Além disso, 21% das dívidas são de contas essenciais como água, luz e gás, e 11,5% com o setor de serviços, refletindo o impacto direto na vida cotidiana das pessoas.

O levantamento da Serasa detalha que existem 338,2 milhões de dívidas registradas, com um valor médio de R$ 6.728,51 por pessoa e R$ 1.647,64 por dívida, evidenciando a pluralidade de compromissos que pesam sobre cada indivíduo.

Fernando Gambaro, Gerente de Comunicação da Serasa, enfatiza a importância de uma solução sustentável: "O programa Desenrola gera um alívio temporário, que é fundamental para que as pessoas busquem educação financeira e a melhor opção de crédito. Mas não pode se encerrar ali, precisa haver um movimento contínuo em torno da educação financeira para que esse alívio não seja passageiro."

Uma pesquisa realizada pela Serasa em abril, com 1.904 pessoas de todo Brasil, ilumina as causas do endividamento: 38% das dívidas financeiras são fruto do desemprego ou da perda de renda, 16% decorrem de gastos emergenciais, 13% da desorganização financeira, 10% do apoio a familiares e amigos, e 7% do atraso no pagamento de contas.

O Desenrola 2.0 é direcionado a brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos (o equivalente a R$ 8.105) que possuam dívidas com o sistema bancário. Serão renegociados débitos contratados até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasados entre 90 dias e 2 anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

As condições de renegociação são um fôlego para os devedores: descontos de 30% a 90%, taxa de juro máxima de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses para pagamento e até 35 dias para a quitação da primeira parcela. O limite da nova dívida, após os descontos, será de até R$ 15 mil por pessoa e por instituição financeira.

Outro benefício crucial é a permissão para o trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente suas dívidas, oferecendo uma nova ferramenta de quitação.

Bancos consultados pelo g1 confirmaram adesão ao Novo Desenrola Brasil, mas aguardam as definições operacionais para iniciar as renegociações. As instituições já trabalham no ajuste de seus sistemas para viabilizar a implementação do programa.

O objetivo central do programa é reduzir o endividamento das famílias e reorganizar o acesso ao crédito no país. A Medida Provisória que estabelece as regras foi publicada no fim desta segunda-feira, 4 de maio de 2026, e já está em vigor. O acesso ao programa será feito pelos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos, sites ou agências.

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