Efeito colateral

Abimaq alerta que PEC 6x1 pode encarecer produtos ao consumidor

Camilla Toledo, da Abimaq, fala sobre os impactos da PEC 6x1.
Representante da Abimaq alerta sobre os impactos da PEC 6x1 na economia.

Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos argumenta que alteração abrupta na jornada pode gerar aumento de preços e critica prazo de adaptação insuficiente.

A possível aprovação da PEC que altera a jornada de trabalho, combinada com os juros elevados no mercado interno, gera preocupação no setor industrial brasileiro. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) alerta que o cenário pode afetar decisões de investimento e reduzir a oferta de mão de obra qualificada, impactando o custo final dos produtos para o consumidor.

Camilla Toledo, gerente do departamento jurídico da Abimaq, explicou que o texto aprovado na Câmara dos Deputados afeta não apenas a indústria de máquinas e equipamentos, mas todo o setor produtivo nacional. Ela destacou que, no segmento específico da associação, que já opera em regime 5x2 com 44 horas semanais, a redução de quatro horas de trabalho, somada ao acréscimo de um descanso semanal remunerado, representa um aumento de custos considerável.

Toledo ressaltou que a mudança, em sua estrutura atual, tende a elevar os preços em toda a cadeia produtiva, um ônus que, segundo ela, será repassado ao consumidor final. "No fim, nós vamos trabalhar menos, mas vamos ter um impacto indireto: tudo que formos comprar ficará mais caro", afirmou.

A representante da Abimaq também criticou o prazo de transição previsto na proposta, que estabelece 60 dias para um primeiro escalonamento e, posteriormente, um ano. Para Toledo, esse período é inadequado, citando exemplos internacionais: "Todos os países que adotaram alguma redução de jornada fizeram isso num período de transição de quase 10 anos". Ela argumenta que 12 a 14 meses são insuficientes para que as empresas readequem suas escalas e processos de produção.

A associação esclareceu que não se opõe à revisão da jornada de trabalho, mas sim à maneira abrupta como a alteração está sendo conduzida. Em contrapartida, a Abimaq apoia a PEC 12, em tramitação no Senado, de autoria do senador Rogério Marinho, que propõe maior flexibilidade e permite que a adequação da jornada seja definida por meio de negociações entre empregadores, empregados e sindicatos.

"O Brasil é um país continental, temos diferenças de cidades, de costumes, de setores, então não dá para impor uma escala única para todo mundo", defendeu Toledo, sugerindo que a discussão seria mais produtiva fora do período eleitoral, permitindo mais tempo para análise e um prazo de transição mais extenso. "Se isso fosse deixado para discutir depois, com calma, com segurança, olhando todos os lados, vendo todos os impactos que isso pode causar e com um período de transição maior, com certeza seria melhor para o país", concluiu.

A entidade também defende um maior investimento em automação como estratégia para viabilizar, a longo prazo, uma eventual redução da jornada sem comprometer a competitividade industrial brasileira.

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