OPINIÃO PÚBLICA

Pesquisa Quaest confirma apoio popular à classificação de PCC e CV como "terroristas"

Gráfico de pesquisa indicando que 60% dos brasileiros aprovam a classificação de PCC e CV como "terroristas".
Gráfico da pesquisa Quaest sobre a percepção de aprovação da classificação de facções como "terroristas".

Levantamento da Quaest revela que 60% dos brasileiros veem as facções criminosas PCC e CV como terroristas. A medida reflete a percepção pública sobre segurança e combate ao crime organizado.

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, pela Quaest, em parceria com a Genial, aponta que a maioria dos brasileiros concorda com a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações “terroristas”. O levantamento mostra que 60% dos entrevistados acreditam que o governo brasileiro deveria adotar essa designação.

A aprovação popular à medida se estende à decisão recente do governo dos Estados Unidos de classificar as facções como “organizações terroristas”, com 45% dos entrevistados concordando com a ação americana. Esses dados confirmam uma tendência já observada em pesquisa anterior do PoderData, realizada entre 30 de maio e 1º de junho de 2026, indicando um forte alinhamento da opinião pública brasileira com a postura adotada pelos EUA.

A pesquisa do PoderData, divulgada anteriormente, revelou que 53% dos brasileiros consideram a classificação das facções como “terroristas” como uma medida “boa para o Brasil”. Outros 33% avaliaram a ação como “ruim” para o país, e 14% declararam não saber responder.

A pesquisa da Quaest, realizada entre 5 e 8 de junho de 2026, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07661/2026, com custo de R$ 433.255,92, financiado pelo Banco Genial.

Já o levantamento do PoderData foi realizado com recursos próprios, coletando dados de 30 de maio a 1º de junho de 2026. Foram 2.500 entrevistas em 166 municípios das 27 unidades da Federação, com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A metodologia envolve dezenas de milhares de ligações para garantir a representatividade dos entrevistados em relação à população brasileira.

A classificação do PCC e do CV como organizações “terroristas” pelos Estados Unidos foi anunciada no final de maio. A decisão ocorreu poucos dias após uma reunião entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o então presidente Donald Trump, na Casa Branca. Na ocasião, Bolsonaro indicou que a pauta central do encontro foi a articulação para que os EUA adotassem essa classificação.

A medida americana ganha relevância eleitoral no Brasil, pois reforça a segurança pública como uma pauta central para as eleições de 2026. Embora o governo brasileiro, na época, tenha evocado o discurso da soberania e alertado para o risco de interferência estrangeira, a dificuldade em explicar esse argumento para a maioria da população é evidente. O conceito de “terrorismo” ressoa diretamente com a experiência cotidiana dos brasileiros, especialmente em grandes centros urbanos, marcada pelo medo da violência e pela expansão do crime organizado. Assim, a tendência é que o eleitor avalie a medida sob a ótica do combate às facções, em detrimento de nuances diplomáticas.

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