CINEMA NACIONAL

Tela Brasil: Streaming público gratuito de audiovisual brasileiro estreia com mais de 550 obras

Presidente Lula e Ministra Margareth Menezes no lançamento do streaming público Tela Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, no lançamento da plataforma Tela Brasil, no Rio de Janeiro.

Plataforma do Governo Federal chega com catálogo diversificado e foco em acessibilidade. Presidente Lula destaca importância para o conhecimento do país.

O governo lançou oficialmente neste sábado, 30 de maio de 2026, a plataforma Tela Brasil, o serviço de streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro. A iniciativa visa democratizar o acesso da população à cultura nacional, expandindo o alcance da produção cinematográfica e televisiva do país.

Coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Tela Brasil disponibilizará filmes, séries e documentários brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br. Durante o evento de lançamento, realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a plataforma representa uma ferramenta crucial para a soberania cultural, permitindo que os brasileiros se conheçam melhor.

O presidente criticou o predomínio de conteúdos estrangeiros de baixa qualidade nas telas nacionais, argumentando que isso limita o acesso da juventude brasileira à riqueza de sua própria cultura. Lula enfatizou a importância de o país se voltar para dentro, conhecendo sua cultura e as razões de sua formação histórica e econômica, inclusive o peso do setor cultural na geração de empregos e no desenvolvimento.

Em conexão com outras políticas públicas, como o programa MEC Livros, o presidente anunciou que novos conjuntos habitacionais entregues pelo governo contarão com bibliotecas, integrando o acesso à cultura à política de habitação. O projeto Tela Brasil contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, garantindo licenciamento de acervo, desenvolvimento tecnológico e ferramentas de acessibilidade.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, explicou que a plataforma busca superar o gargalo na distribuição do audiovisual brasileiro, assegurando que o público tenha acesso a produções importantes que referenciam o país. Ela celebrou a diversidade, a miscigenação e o resgate do protagonismo de figuras históricas, destacando que as histórias do povo brasileiro, quando conhecidas e vistas, fortalecem a identidade nacional.

O acervo inaugural da Tela Brasil reúne conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e obras de instituições como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. O catálogo, com foco em diversidade, inclui cinema negro, indígena, produções de mulheres e temas como justiça climática e sustentabilidade, abrangendo obras de 1910 a 2025.

A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais: 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Clássicos como "A Hora da Estrela", "Xica da Silva", "Central do Brasil" e "Cidade de Deus", além de filmes que representaram o Brasil no Oscar, compõem o catálogo inicial. A categoria Africanidades destaca narrativas sobre a população negra, ancestralidade e contemporaneidade.

A acessibilidade é um pilar fundamental, com todos os títulos selecionados oferecendo audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A professora Luciana Peixoto Santa Rita, da UFAL, destacou que as soluções de acessibilidade e preservação de memória são baseadas em pesquisa e evidências.

Para navegar na Tela Brasil, é necessário ter uma conta Gov.br. O usuário pode optar pelo "Perfil Cidadão", com acesso individual e gratuito a filmes, séries e documentários, ou pelo "Perfil Direcionado", voltado para exibições coletivas e sem fins comerciais em espaços como salas de aula, cineclubes e bibliotecas. Aplicativos para celulares serão lançados em 30 dias.

Um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o MinC e a TV Brasil foi assinado para ampliar a circulação de conteúdos e integrar políticas públicas para o audiovisual brasileiro. A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia nacional pelo MinC com o apoio da UFAL.

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