Emendas
Deputados do RN articulam para manter 44 horas em setores essenciais
Emendas propõem dez anos de prazo para redução de jornada e medidas de compensação para empresas, enquanto parecer é aguardado nesta quarta-feira, 20/05/2026.
Enquanto a expectativa cresce pela apresentação do parecer sobre a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 20/05/2026, três deputados federais do Rio Grande do Norte – General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL) e João Maia (PP) – já se posicionaram. Eles apoiam ativamente emendas que visam adiar significativamente a implementação de um novo modelo para atividades essenciais, permitindo a manutenção da jornada de 44 horas semanais e estendendo para dez anos o prazo para uma eventual redução. Esta mobilização no Congresso reflete uma profunda polarização em torno de uma medida que impactará diretamente a dignidade, a rotina e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores brasileiros, ao mesmo tempo em que busca equilibrar os interesses empresariais e a estabilidade econômica nacional.
As emendas, que já contam com o apoio de mais de 100 parlamentares da oposição, foram formalmente apresentadas pelos deputados Sérgio Turra (PP-RS) e Tião Medeiros (PP-PR). A adesão dos representantes potiguares reforça o movimento para mitigar os impactos da proposta original nos setores considerados cruciais para o funcionamento do país.
No cerne dessas propostas, está a defesa de que setores essenciais – incluindo saúde, segurança, mobilidade, abastecimento e infraestrutura crítica – mantenham a autonomia para operar com jornadas de até 44 horas semanais. Adicionalmente, as emendas estipulam um prazo dilatado de dez anos para que qualquer redução da carga horária entre efetivamente em vigor, oferecendo um período de adaptação mais extenso para empresas e trabalhadores.
Para as empresas, as emendas apoiadas pelos parlamentares do Rio Grande do Norte também articulam medidas compensatórias robustas. Dentre elas, destacam-se a redução de 50% na contribuição ao FGTS, a concessão de imunidade temporária sobre encargos trabalhistas para novos vínculos de emprego e a permissão para dedução em dobro das despesas com contratações no Imposto de Renda e na CSLL, após a eventual implementação do novo modelo.
O intenso debate em torno da escala 6×1 ganhou notoriedade nacional a partir de 2024, catalisado por mobilizações expressivas nas redes sociais e pela atuação incisiva do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho). A discussão progrediu substancialmente no Congresso após a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), cujo texto original propõe mudanças profundas na jornada semanal de trabalho e na ampliação do descanso remunerado, mirando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Atualmente, a proposta original em análise no parlamento contempla a redução da jornada máxima de 44 para 36 horas semanais e a consolidação de formatos com dois dias de descanso remunerado por semana. No entanto, o texto que o relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), está construindo, explora a possibilidade de estabelecer o limite em 40 horas semanais, sempre com a garantia de não haver redução salarial, buscando um consenso entre as partes.
Os defensores da mudança, especialmente aqueles ligados ao campo governista, argumentam veementemente que a alteração é crucial para a dignidade humana. Eles apontam para a preservação da saúde física e mental dos trabalhadores, o aumento substancial do tempo de lazer e da convivência familiar como pilares fundamentais. Além disso, destacam o potencial de melhora na produtividade geral. Para esses parlamentares, a persistência da escala 6×1 compromete seriamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros e impõe barreiras ao acesso à qualificação profissional e ao convívio familiar essencial.
Em contrapartida, representantes do setor empresarial e os parlamentares que se opõem à proposta alertam para riscos significativos. Eles preveem um aumento inevitável nos custos operacionais, uma possível redução nos postos de trabalho e severas dificuldades práticas para setores que demandam funcionamento contínuo, como os serviços essenciais, caso a medida seja implementada sem as devidas compensações.
Na prática, a aprovação da proposta em discussão provocará uma reestruturação significativa na organização do trabalho em todo o país.
O limite semanal da jornada, que atualmente é de 44 horas, seria reduzido para 40 horas, com a garantia explícita de, no mínimo, dois dias de descanso remunerado por semana e a vedação expressa de qualquer redução salarial. O texto estende, ainda, a abrangência da medida para diversas categorias profissionais regidas pela CLT e por legislações específicas, como comerciários, domésticos, atletas, aeronautas e radialistas, impactando um vasto universo de trabalhadores.
Dados cruciais, apresentados durante as discussões na Câmara dos Deputados, revelam a dimensão do desafio: cerca de 37 milhões de trabalhadores brasileiros, o equivalente a aproximadamente 74% dos empregados com carteira assinada no país, atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Este cenário sublinha a urgência e a complexidade do debate, que definirá o futuro das relações de trabalho e o bem-estar de uma parcela expressiva da população.
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Comentários (1)
Antonio Augusto
há 2 mesesExistem tantas atividades que já trabalham em regime de 40 horas ou 30 horas semanais como também em regime de 12 horas por 36 horas de descanso. Se é determinado o máximo de 40 horas semanais conforme a lei, agora cabe aos sindicatos, empregadores e empregados fazerem a transição e adaptadilidade.
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