EIXO ENERGÉTICO GLOBAL

Zylbersztajn: Américas lideram nova era da energia

David Zylbersztajn, especialista em energia, discute o reposicionamento geopolítico da produção de petróleo e gás com o Oriente Médio em crise.
O professor David Zylbersztajn, ex-ANP e do Instituto de Energia da PUC-Rio, durante sua participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, onde discutiu o futuro da produção energética global.

Ex-ANP e professor da PUC-Rio projeta reposicionamento impulsionado por instabilidade geopolítica no Oriente Médio, fortalecendo a segurança energética mundial.

As Américas estão prontas para redesenhar o eixo global da produção de energia, assumindo um papel de protagonismo crucial diante da crescente instabilidade no Oriente Médio. Essa é a avaliação de David Zylbersztajn, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio e ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que fez a afirmação nesta sábado, 09/05/2026. Em sua participação no programa WW Especial da CNN Brasil, Zylbersztajn ressaltou que a busca por segurança e estabilidade no fornecimento de petróleo e gás impulsiona uma reconfiguração geopolítica com impactos profundos na dignidade e prosperidade de nações e cidadãos ao redor do mundo.

Zylbersztajn explicou que os conflitos envolvendo o Irã geram efeitos complexos sobre a transição energética global. "Evidentemente, nações buscarão reduzir sua dependência e fortalecer sua segurança em relação aos combustíveis fósseis", afirmou, destacando a prioridade em proteger o acesso a recursos essenciais para suas economias e populações.

Simultaneamente, o mercado global reage com uma busca imediata por novos fornecedores de petróleo e gás. "O mundo clama: se não podemos obter dali, buscaremos em outras fontes", completou o especialista, evidenciando a urgência de diversificar as origens para garantir a continuidade do abastecimento.

Este deslocamento estratégico já se encontra em pleno curso, fortalecendo o que Zylbersztajn designa como o "eixo atlântico" da energia. Na sua análise, os países do continente americano oferecem condições significativamente mais vantajosas em termos de estabilidade institucional e segurança logística, contrastando com a volatilidade observada no Oriente Médio. Essa mudança assegura um ambiente mais previsível e seguro para os investimentos e o fornecimento de energia, beneficiando a todos.

O Canadá e os Estados Unidos emergem como produtores de grande relevância. "Os Estados Unidos são hoje independentes, não dependem do petróleo e do gás natural de ninguém; pelo contrário, são exportadores líquidos de hidrocarbonetos", detalhou Zylbersztajn, sublinhando a robustez e autossuficiência energética norte-americana.

O especialista também apontou o crescimento da produção energética em outras nações da região. "O México avança na abertura progressiva de sua economia, o Caribe demonstra um ingresso significativo e, com importância crescente, surge a Venezuela. Atualmente, o setor de energia venezuelano, sobretudo o petrolífero, está sendo progressivamente controlado por empresas americanas", complementou, evidenciando uma reconfiguração do panorama energético regional.

Ao elencar os países com potencial para ganhar proeminência neste novo cenário, Zylbersztajn incluiu as Guianas, o Brasil e a Argentina. "As Guianas já iniciam uma forte produção de petróleo. A França rompe um tabu ao explorar petróleo em sua Guiana Francesa, vizinha ao Amapá. No Brasil, a Margem Equatorial, com a exploração da bacia da Foz do Amazonas, promete impulsionar substancialmente o crescimento da produção nacional", esclareceu, projetando um futuro de maior autossuficiência e geração de riqueza para a população.

Para a Argentina, Zylbersztajn ressaltou o vasto potencial de Vaca Muerta, descrevendo-o como "o campo mais promissor descoberto em termos de gás natural", um ativo estratégico para a segurança energética regional.

O professor da PUC-Rio alertou que o principal impacto dessa reorganização geopolítica recairá sobre os países asiáticos, tradicionalmente mais dependentes das rotas marítimas que atravessam o Oriente Médio. "Quem, de certa forma, terá dificuldades de atendimento prioritário em um primeiro momento são os países asiáticos, que mais sofrem com os bloqueios e instabilidades no Estreito de Ormuz", salientou, enfatizando a vulnerabilidade dessas nações e a necessidade de repensar suas estratégias de abastecimento.

Zylbersztajn vislumbra que a retomada da produção venezuelana poderá amplificar ainda mais este movimento nos próximos anos. "A Venezuela, que produzia 700 mil barris por dia, já alcançou quase 4 milhões e essa capacidade produtiva voltará a ser explorada", previu, indicando um potencial aumento significativo na oferta de petróleo no continente.

O programa WW Especial, apresentado por William Waack, foi o palco para essas análises e é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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