DECISÃO POLÍTICA

Walter Alves explica decisão de não assumir Governo do RN em 2026

Vice-governador Walter Alves falando em um microfone
Walter Alves, vice-governador do Rio Grande do Norte, em entrevista. Foto: Reprodução/98 FM

Vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves, revelou em entrevista que nunca houve compromisso para sua candidatura ao Executivo estadual em 2026, argumentando que um mandato curto prejudicaria sua trajetória. A declaração ocorre meses após o anúncio de sua renúncia à possibilidade de assumir o governo.

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves, voltou a comentar neste fim de semana uma das decisões mais controversas de sua trajetória política recente: a escolha de não assumir o Governo do Estado em 2026, diante da possibilidade de renúncia da governadora Fátima Bezerra para disputar uma vaga ao Senado. Em entrevista recente ao programa Politicando, da 98 FM, o emedebista rebateu críticas recebidas desde que anunciou sua decisão e trouxe um argumento inédito para justificar a escolha: segundo ele, nunca houve qualquer compromisso de que seria candidato ao Governo.

Ao abordar o tema, Walter rebateu as acusações de que teria descumprido acordos políticos ao abrir mão de assumir o Governo do Estado. "Primeiro, não existia compromisso nenhum de eu ser candidato a governador. Quiseram acabar com o nosso legado, mas não conseguiram", afirmou, ao negar que sua decisão represente ruptura com o projeto político que ajudou a construir ao lado do MDB e dos aliados da atual gestão.

A declaração surge meses depois de o vice-governador comunicar oficialmente que não assumirá o comando do Executivo estadual, em janeiro deste ano. À época, a decisão provocou forte repercussão política. Adversários e até integrantes de grupos aliados passaram a acusá-lo de renunciar à oportunidade de governar o Estado, abandonar o projeto que ajudou a eleger e evitar enfrentar os desafios administrativos e financeiros do Rio Grande do Norte.

O vice-governador também ressaltou que pretende colocar sua trajetória política novamente à avaliação do eleitor e não descartou disputar o Executivo estadual no futuro. "Eu sou pré-candidato a deputado estadual para julgamento popular e o povo vai julgar e escolher. E um dia, quem sabe, eu possa alcançar esse sonho", acrescentou, em referência à possibilidade de ainda disputar o Governo do Estado em outro momento de sua carreira.

Ao relembrar o processo que culminou na decisão, Walter reconheceu que chegar ao comando do Executivo era um objetivo político legítimo e que influenciou sua escolha de compor a chapa vencedora em 2022. "Eu teria a chance de ser governador do Rio Grande do Norte. Não tenha dúvida", afirmou, destacando que a perspectiva de assumir o cargo fazia parte do planejamento político construído durante a campanha.

Apesar disso, ele disse ter concluído que a oportunidade não compensaria os riscos de administrar o Estado por um período curto e sem tempo suficiente para apresentar resultados. "Foi uma decisão das mais difíceis da minha vida", declarou, ao relatar o peso político e pessoal da escolha que acabou contrariando expectativas de aliados e adversários.

Segundo Walter, um mandato de apenas alguns meses seria insuficiente para promover mudanças estruturais na administração estadual e poderia resultar em um julgamento injusto por parte da população. "É impossível você, em seis meses, conseguir reestruturar e reorganizar. É impossível", afirmou, argumentando que a falta de tempo comprometeria qualquer tentativa de imprimir uma marca própria de gestão.

Walter contou ainda que consultou o ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho antes de tomar a decisão definitiva e afirmou que também ouviu dirigentes nacionais do MDB. Segundo ele, a avaliação foi unânime de que assumir o Governo por poucos meses poderia comprometer seu futuro político. "Eu comuniquei, fui a Brasília diversas vezes, conversei com quem nos ajudou. O ministro Renan, o ministro Jader, a Simone Tebet e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, disseram: ‘Walter, se você assumir realmente, você vai se acabar, porque não vai ter tempo de mostrar serviço’", relatou, ao explicar que a decisão foi amadurecida ao longo de meses e contou com o respaldo de lideranças da legenda.

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