SAÚDE EM COLAPSO

Walfredo Gurgel paralisa cirurgias após elevadores quebrarem

Walfredo Gurgel paralisa cirurgias após elevadores quebrarem

Pane nos equipamentos do pronto-socorro Clóvis Sarinho adia procedimentos e transfere pacientes; um elevador já está descartado.

A paralisação dos dois elevadores que servem o pronto-socorro Clóvis Sarinho, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, resultou na suspensão imediata de cirurgias eletivas, no adiamento de procedimentos de urgência e na transferência compulsória de ao menos seis pacientes para outras unidades da rede, uma grave consequência da falta de manutenção que se arrasta desde terça-feira, 5 de maio de 2026. A situação crítica impede o acesso regular ao centro cirúrgico e expõe pacientes a condições inadequadas de transporte, revelando uma profunda fragilidade na estrutura de saúde pública do Rio Grande do Norte.

O maior centro de referência em traumas do estado, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, vive dias de colapso operacional, gerando sofrimento para pacientes e funcionários. Sem os equipamentos de elevação, essenciais para movimentar macas e equipamentos, o hospital entrou em regime de exceção. Pacientes são conduzidos por acessos improvisados e até mesmo por áreas externas, em flagrante desrespeito à sua dignidade e segurança.

A falta de manutenção reflete-se no drama de famílias que aguardam por procedimentos críticos. A agricultora Maria José, por exemplo, relatou que seu pai, um idoso de 98 anos, está há dois dias com a cirurgia suspensa. A impossibilidade de levá-lo ao bloco cirúrgico prolonga sua dor e angústia familiar.

Servidores da unidade testemunharam e registraram imagens de pacientes sendo carregados por escadas e por áreas descobertas, uma cena que choca e denuncia a precariedade das condições de trabalho e atendimento.

Esta crise não é um evento isolado. Em dezembro do ano passado, o Walfredo Gurgel já havia enfrentado a mesma situação, com falhas em três ocasiões distintas que deixaram a unidade sem elevadores por mais de dez dias. Naquela época, o transporte precário de macas por escadas já havia provocado denúncias e indignação.

O secretário estadual de Saúde Pública, Alexandre Motta, detalhou a situação técnica. O Hospital Walfredo Gurgel possui quatro elevadores, mas os dois que atendem especificamente o pronto-socorro Clóvis Sarinho estão inoperantes. “Um deles já está descartado pela empresa que faz a manutenção, dizendo que não tem condições de manutenção, e isso está em processo de licitação”, afirmou Motta. “O outro que quebrou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, existe uma previsão por parte da empresa de entrega da peça que faltava, agora no sábado [9 de maio de 2026], e restabelecer o seu fluxo”, complementou o secretário, indicando uma solução paliativa e incerta para apenas um dos problemas.

Para tentar mitigar o caos, a Sesap organizou um fluxo de emergência. “Pacientes que tenham fratura de membros superiores, se tiverem condições de andar, vão subir pela escada. Se não tiverem condições de andar, existe um fluxo criado por ambulância”, explicou Alexandre Motta. Essa medida improvisada envolve o uso de veículos para levar pacientes entre diferentes entradas da unidade, evidenciando a improvisação e a falta de estrutura adequada.

A crise no Walfredo Gurgel expõe uma fragilidade em série na rede de saúde do Rio Grande do Norte. O Hospital Deoclécio Marques, que passou a absorver parte da demanda do Walfredo, está com seu aparelho de raio-x quebrado há mais de um mês, obrigando pacientes a se deslocarem até Macaíba para realizar exames. Sobre o tomógrafo do Deoclécio Marques, Motta afirmou: “A tomografia de tórax é que não é tão precisa do ponto de vista da imagem óssea, e aí, por isso, ela é encaminhada para o outro hospital da rede, que vai fazer esse suporte”, reiterando a sobrecarga e a ineficiência do sistema.

O secretário admitiu o impacto direto na capacidade de atendimento da rede, que opera acima do limite. “O Walfredo Gurgel tem 300 leitos e já chegou a atender 400 pessoas internadas. Criou-se uma gestão do fluxo, garantiu-se com isso o atendimento e, obviamente, fazendo com que o impacto seja mínimo”, tentou justificar, minimizando a situação crítica.

Ele concluiu mencionando que o alívio para a sobrecarga da rede só virá com a entrega de novos leitos no Hospital Metropolitano e nas futuras unidades municipais de Natal e São Gonçalo do Amarante, uma promessa futura para um problema urgente e presente.

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