ANÁLISE PROFUNDA DO VOTO

Voto feminino redefine cenário eleitoral no RN, ampliando vantagem de Lula e estabilizando Allyson Bezerra

Voto feminino no RN impulsiona Lula e sustenta Allyson Bezerra na corrida eleitoral
O eleitorado feminino é peça-chave nas eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.

Pesquisa Exatus revela a força decisiva das mulheres na corrida presidencial para Lula e a solidez de Allyson no Governo do Estado do Rio Grande do Norte.

A disputa eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte ganha contornos mais definidos com a divulgação, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, dos resultados da pesquisa Exatus, realizada entre 14 e 17 de abril de 2026. O levantamento, conduzido pelo instituto Exatus, revela que o eleitorado feminino emerge como um pilar fundamental na ampliação da vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, ao mesmo tempo em que consolida a base de apoio de Allyson Bezerra (União) na disputa pelo Governo do Estado. A análise detalhada desses dados oferece um panorama vital sobre a dignidade da representação política e as escolhas que impactarão diretamente a vida dos potiguares.

Os dados da pesquisa Exatus, registrada sob o número RN-08384/2026, trazem números expressivos. Na média do cenário estimulado para a Presidência, Lula lidera no Estado com 46,51% das intenções de voto, superando Flávio Bolsonaro (PL), que registra 33,33%. Contudo, é no recorte por gênero que a dinâmica se intensifica: entre as mulheres, Lula alcança 47,5%, enquanto Flávio Bolsonaro fica com 29,9%. A dianteira do petista neste grupo é de 17,6 pontos percentuais, uma diferença mais que o dobro da observada entre os homens. As mulheres, que representam 52,83% da amostra pesquisada e são maioria no eleitorado, são, portanto, um fator determinante.

Para Ythalo Hugo, estatístico da Exatus, a influência feminina é crucial. “Quando observamos o resultado geral, a liderança de Lula no Rio Grande do Norte já é evidente. No entanto, ao segmentarmos por gênero, fica claro que o voto feminino é decisivo para ampliar essa distância. Entre as mulheres, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro é significativamente maior do que no eleitorado masculino”, pontua o especialista. Entre os homens, Lula também está à frente, com 45,5% contra 37,2% de Flávio Bolsonaro, uma margem de 8,3 pontos percentuais, confirmando a força feminina na balança eleitoral.

Ythalo Hugo ressalta a complexidade dessa preferência. “A vantagem de Lula não se distribui de maneira uniforme. Embora presente em ambos os grupos, ela se mostra muito mais acentuada entre as mulheres, evidenciando que este segmento é vital para a estrutura da liderança presidencial no Estado.” O voto feminino não apenas impulsiona o presidente, mas também amplia sua vantagem sobre o principal concorrente. Adicionalmente, o percentual de eleitoras que expressam voto em “nenhum” é maior entre as mulheres (16%) do que entre os homens (9,7%).

“Este índice de ‘nenhum’ entre as mulheres merece atenção. Existe uma parcela do eleitorado feminino mais reticente às opções apresentadas na disputa presidencial. Contudo, mesmo com essa reserva, Lula mantém uma vantagem expressiva no segmento, o que reforça sua força entre as eleitoras potiguares”, explica o estatístico.

A polarização também se reflete na rejeição presidencial. Entre as mulheres, Flávio Bolsonaro é o mais rejeitado, com 41,1%, enquanto Lula tem 32,6% de rejeição. No eleitorado masculino, o cenário se inverte: Lula registra 39,5% de rejeição, um pouco acima de Flávio Bolsonaro, com 38,2%. Essa inversão é um sinal claro das distintas percepções políticas.

“Essa talvez seja a informação mais reveladora do recorte por gênero. Entre as mulheres, Flávio Bolsonaro enfrenta maior rejeição e menor intenção de voto. Já entre os homens, a competição se acirra e a rejeição se equilibra. Portanto, o eleitorado feminino não apenas vota mais em Lula, mas também impõe uma barreira mais robusta ao avanço de Flávio Bolsonaro”, analisa Ythalo Hugo. No resultado geral, Flávio Bolsonaro acumula a maior rejeição da pesquisa presidencial, com 39,71%, seguido por Lula, com 35,85%.

Se a corrida presidencial demonstra a amplificação do voto feminino, na disputa pelo Governo do Estado o destaque é a estabilidade de Allyson Bezerra entre os dois públicos. No panorama geral para governador, Allyson lidera com 37,29%, à frente de Álvaro Dias (PL), com 24,91%, e Cadu Xavier (PT), com 10,74%. Ao detalhar por gênero, Allyson mantém desempenho praticamente idêntico: 37,1% entre as mulheres e 37,5% entre os homens, uma variação mínima de apenas 0,4 ponto percentual.

Essa consistência é um trunfo eleitoral para o ex-prefeito de Mossoró. Enquanto outros candidatos mostram oscilações conforme o perfil do eleitorado, Allyson demonstra apoio tanto no voto feminino quanto no masculino. “Allyson exibe uma regularidade notável entre homens e mulheres. Essa estabilidade é politicamente relevante, pois sugere uma candidatura menos dependente de um único segmento. Ele não lidera por excelência em um grupo específico, mas sim por manter um desempenho similar em ambos”, observa Ythalo Hugo.

Álvaro Dias, principal oponente de Allyson na pesquisa, tem sua força mais concentrada entre os homens, registrando 28,5% nesse grupo contra 21,7% no eleitorado feminino, uma diferença de 6,8 pontos. Cadu Xavier, por sua vez, aparece equilibrado, com 10,8% entre mulheres e 10,7% entre homens.

Outro ponto relevante é a maior indefinição entre as mulheres na disputa estadual: 17,8% dizem votar em nenhum candidato e 10,5% não sabem em quem votar. Entre os homens, esses índices são menores, com 12,7% para “nenhum” e 7,3% para “não sabe”. “O voto feminino para o Governo apresenta dois lados. Por um lado, Allyson lidera com desempenho estável. Por outro, as mulheres têm mais respostas de ‘nenhum’ e ‘não sabe’. Isso indica uma liderança consolidada no momento, mas também um contingente feminino ainda aberto à disputa ao longo da campanha”, pontua o estatístico da Exatus.

Além da liderança em intenção de voto, Allyson Bezerra também registra a menor rejeição entre os principais nomes ao Governo do Estado, com apenas 7,62% dos eleitores afirmando que jamais votariam nele. Cadu Xavier lidera a rejeição com 23,37%, seguido por Álvaro Dias, com 16,93%. A rejeição a Allyson se mantém estável entre os gêneros: 7,5% no eleitorado feminino e 7,7% no masculino.

“Em pesquisas eleitorais, não basta apenas verificar quem está à frente. É fundamental analisar também o nível de rejeição. Allyson combina liderança com baixa resistência, o que lhe confere uma posição confortável no cenário atual, pois significa menos obstáculos para dialogar com diversos grupos do eleitorado”, esclarece Ythalo Hugo. Ele enfatiza que a baixa rejeição em ambos os sexos é um indicativo de transversalidade. “Quando um candidato tem baixa rejeição entre homens e mulheres, ele possui maior margem para crescimento. No caso de Allyson, a rejeição é praticamente idêntica nos dois grupos e permanece em patamar reduzido, o que constitui um importante ativo eleitoral.”

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