CICLO DE VIOLÊNCIA
Violência familiar marca trajetória de atleta morto no Morro do Juramento
Maiky Brian dos Santos Silva, promessa do kickboxing, é a terceira perda por disparos na família. Investigação aponta invasão de facções na Zona Norte.
Maiky Brian dos Santos Silva, um adolescente de 16 anos, teve sua trajetória interrompida por um confronto armado no Morro do Juramento, localizado em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio. O jovem é a terceira pessoa de seu núcleo familiar a perder a vida em decorrência da violência armada. O caso, ocorrido na noite de sábado (18), gerou comoção entre familiares e amigos, que negam qualquer envolvimento do rapaz com atividades ilícitas.
O impacto da perda é severo para a estrutura familiar, que já havia lidado com o falecimento do avô de Maiky, também vítima de disparos, e com a morte do marido de sua prima, Carlos André Vasconcelos da Silva, no ano passado. Carlos, um jardineiro do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, foi atingido por uma bala perdida próximo a uma estação de BRT durante uma operação policial na Penha.
Maiky, que era um atleta federado e campeão estadual de kickboxing, foi sepultado no Cemitério de Inhaúma na segunda-feira (20). Segundo o relato de parentes, o jovem estava soltando pipa quando foi atingido no peito e na cabeça durante um intenso tiroteio. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, tratando o episódio como parte de uma tentativa de invasão da comunidade, dominada pelo Comando Vermelho, por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) vindos do Complexo da Serrinha, em Madureira.
O cenário de instabilidade no Morro do Juramento deixou outras três vítimas fatais, homens com idades entre 35 e 50 anos, encontrados próximos à Avenida Pastor Martin Luther King, nas imediações da estação de metrô de Tomás Coelho. As autoridades trabalham para identificar os corpos e esclarecer a dinâmica total dos confrontos ocorridos no final de semana.
A equipe de kickboxing à qual o adolescente era vinculado manifestou profundo pesar, destacando que Maiky era um jovem dedicado e cheio de sonhos. Em abril deste ano, o atleta já havia sido ferido na perna durante um episódio anterior de invasão na região, mas, desta vez, não sobreviveu ao ataque. A investigação prossegue, buscando responsabilizar os autores dos disparos que interromperam a carreira do jovem esportista.
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