SILENCIAMENTO POLÍTICO
Vereadora que teve microfone arrancado em Porto Alegre denuncia "violência política de gênero"
Um incidente de grave impacto na liberdade de expressão e na dignidade feminina marcou a sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, quando o vereador Mauro Pinheiro (PP) arrancou o microfone da vereadora Juliana de Souza (PT). O ato ocorreu enquanto a parlamentar denunciava o “nervosismo” da extrema-direita, relacionando-o a áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Um grave incidente de grave impacto na liberdade de expressão e na dignidade feminina marcou a sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, quando o vereador Mauro Pinheiro (PP) arrancou o microfone da vereadora Juliana de Souza (PT). O ato ocorreu enquanto a parlamentar denunciava o “nervosismo” da extrema-direita, relacionando-o a áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), nos quais ele cobrava dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Juliana de Souza classificou o episódio como violência política de gênero e um ataque direto à democracia, gerando um debate acalorado sobre os limites da ação parlamentar e o tratamento dispensado às mulheres na política brasileira.
A vereadora, em declaração ao g1, afirmou que a agressão à sua voz foi uma reação ao conteúdo de sua fala. “Fui para o microfone de apartes registrar que vereadores estavam atacando a esquerda e deviam estar fazendo isso pelo nervosismo que estava vivendo a extrema-direita pelo Flávio. Nesse ato, que o vereador arranca o microfone, é ataque à própria liberdade de expressão que eles tanto dizem defender”, declarou Juliana. O material sobre os áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi revelado pelo portal Intercept Brasil nesta quarta-feira e teve seu conteúdo confirmado pela TV Globo, que teve acesso às informações.
A sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre precisou ser interrompida após o incidente, que ocorreu durante um debate sobre a revisão do Plano Diretor da capital gaúcha. Para Juliana, a atitude de Mauro Pinheiro (PP) transcende a prática parlamentar local e reflete um padrão mais amplo de comportamento político no Brasil. “Não é sobre um episódio de violência que eu sofro ou sobre a Câmara de Porto Alegre. Foi um dia simbólico para o país e se relaciona a como as vereadoras do nosso campo político têm sido atacadas e sobre como as mulheres são tratadas o tempo inteiro na sociedade”, pontuou a vereadora.
Juliana de Souza (PT) expressa preocupação com a crescente permissividade para atos violentos no cenário político institucional. “Infelizmente, nosso espaço político tem que ser despolitizado. A ascensão da extrema-direita mobiliza uma política de ódio que tem tomado muito espaço no terreno não só da sociedade, mas também nas câmaras e assembleias legislativas”, analisou a parlamentar.
“Violência de gênero” será levada à Comissão de Ética
Após a confusão, a vereadora Juliana de Souza (PT) divulgou uma nota classificando o caso como “violência política de gênero” e um “ataque à democracia”. Ela informou que irá representar formalmente contra o parlamentar na Comissão de Ética da Casa, alegando quebra de decoro. Segundo a vereadora, o episódio é uma manifestação da “política de ódio que a extrema-direita tem promovido no país”. “O que aconteceu foi mais um episódio de violência política de gênero que vivi [...], mas em um nível muito mais exacerbado e grave”, enfatizou.
O que diz Mauro Pinheiro (PP)
O vereador Mauro Pinheiro (PP) também se manifestou por meio de um comunicado, rebatendo as acusações. Ele afirmou que o ocorrido “não teve qualquer relação com a condição de mulher da parlamentar envolvida” e que “jamais buscou desqualificar sua atuação, trajetória ou mandato”. O parlamentar alegou que o contexto esteve “estritamente ligado à condução dos trabalhos da sessão e à preservação da ordem regimental e da pauta em discussão, diante de manifestação que se afastava do tema deliberado naquele instante”.
Pinheiro (PP) reiterou que “Em nenhum momento houve ataque pessoal ou qualquer conduta motivada por questão de gênero”. O vereador classificou a situação como “exclusivamente de natureza regimental (art. 192/RI CMPA) e relacionada à ordem dos trabalhos legislativos, dentro de um ambiente de debate político naturalmente marcado por divergências”. Em sua nota, ele criticou o que chamou de “distorções narrativas ou tentativas de transformar um episódio regimental em acusação de violência política de gênero sem a presença dos elementos que efetivamente a caracterizam”.
O vereador, que se descreve nas redes sociais como um combatente contra “a esquerda e o comunismo”, e que aparece em manifestações contra a prisão de Jair Bolsonaro, a favor da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu sua trajetória. “Ao longo da minha trajetória pública, construída em cinco mandatos como vereador e em duas passagens pela presidência da Câmara Municipal, sempre mantive uma atuação pautada pelo diálogo democrático, pelo respeito institucional e pela convivência respeitosa com todos os parlamentares, independentemente de gênero, posição ideológica ou partido político”, concluiu. Pinheiro (PP) reafirmou seu “absoluto respeito às mulheres na política e à importância de sua participação nos espaços de decisão e representação pública”, salientando que a violência política de gênero “é um tema sério e deve ser tratada com responsabilidade, rigor e verdade sempre que efetivamente configurada”.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário